Vejam como são as coisas!
Passei o dia todo vivendo normalmente e descubro só agora, quase deitando a cabeça no travesseiro, que é dia do blogueiro!
Eu sei que mensagens assim pessoais e diretas não são comuns no Lar Montessori. Mas, meus leitores queridos, vocês fizeram o Lar Montessori chegar entre os 100 blogs de Educação mais lidos do Brasil. Vocês fizeram o Lar Montessori ter 5.000 visitas, vocês fizeram o Lar Montessori atingir 100 visitas por dia (é nossa média recentemente). Vocês fizeram o Lar Montessori ficar grande o suficiente para ser lembrado fora do Brasil, e hoje recebemos visitas de países de língua portuguesa pelo mundo todo e o grupo Montessori MadMen está nos incentivando a escrever em inglês também!
Vocês estão comentando bastante e graças às visitas, aos comentários e aos compartilhamentos, estamos ganhando seguidores com frequência!
Muito obrigado, queridos, muito obrigado de verdade! Escrever para vocês é tudo de bom!
Agradeço especialmente aos blogs Ciranda Materna e Segredos de Mamãe, que nos citaram e enviaram mais de uma centena de visitantes nos últimos dias.
Sintam-se abraçados e recebam votos de gratidão a vocês e seus pimpolhos!
Gabriel
LarMontessori.com
terça-feira, 20 de março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
Passeios à Natureza - Amando e Conhecendo o Universo
Você leva suas crianças a parques? Se sim, parabéns! Se não, tire um tempinho para fazer isso com alguma frequência. O contato com a natureza é fundamental para o desenvolvimento do seu filho. Parques, praças e bosques, assim como praias, oferecem ambientes com muitos estímulos sensoriais para os pequenos, mas de forma suave, sem poluição visual ou sonora.
O contato com a natureza oferece uma quantidade muito grande de possibilidades e assim desperta a curiosidade a um ponto que a casa dificilmente conseguiria. Um dia no parque pode plantar sementes de curiosidade e questões para uma semana inteira, dependendo da idade da criança (isso é especialmente verdadeiro para a faixa etária de três a seis anos). Esteja preparado para responder a estas questões e voltar à natureza em seguida.
Quando a criança é muito pequena, é bom ir ao parque de manhã, quando o sol é fraco e ela está bem desperta, assim pode-se sentar na grama, e ela pode brincar um pouquinho com o entorno, mesmo que não possa se aventurar muito longe. Ficar perto de uma árvore é uma boa ideia, já que só um pequeno espaço incluindo a árvore oferece sombra, raizes, tronco (e sua casca), folhas, terra, grama e quem sabe frutos ou flores. Insetos estarão por perto também, não tema todos eles. Pequenos besouros, joaninhas, grilos ou gafanhotos, borboletas e bicos-pau não são arriscados e maravilham qualquer pequeno explorador.
É claro que é bom evitar abelhas (se as cores que vocês vestirem forem suaves e não houver açúcar nas comidas e bebidas, elas não vão aparecer) e se você não conhecer quais aranhas picam e quais não, espante todas. Mas pare por aí, outros bichinhos são mais uma fonte de conhecimento do mundo do que uma ameaça.
Montessori dizia que não é suficiente amar a criança. É necessário antes conhecer e amar o universo. Ame o universo. Procure se maravilhar com a natureza, assim como seu filho, adote de novo o olhar do explorador, que acha incrível uma folha avermelhada e se surpreende com um pássaro colorido. Mostre essas coisas a ele, não como um professor, mas como alguém que também acha tudo aquilo belo e surpreendente.
Permita que a criança passeie, que pare onde mais lhe interessar, que pegue coisas, que se suje um pouco (ou muito, a depender da sua tolerância), que fique muito tempo parada olhando algo que você sequer percebeu que existia ou que simplesmente não olhe para algo que fascinou muito a você. A maneira de pensar e de ver deles são muito diferentes da sua.
Mostre ao seu filho, nas próximas idas ao parque, como a natureza funciona. De forma descontraida e informal, mostre os ninhos dos passarinhos e explique que são as casas deles, mostre girinos e explique que são os filhotes do sapo, mostre as abelhas e as borboletas nas flores e explique que estão se alimentando e fazendo mel. Com o tempo, explicar a polinização pode ser muito interessante. Sim, você vai ter que estudar muita coisa de novo, mas não vale a pena? Para maravilhar sua criança com a natureza?
Algumas crianças, especialmente as mais velhas, podem recusar-se a ir ao parque ou ao bosque, dizendo que preferem ir ao shopping, ao parque-de-diversões ou à casa de um amiguinho. Embora nenhum desses passeios seja reprovável em si (não recomendamos o shopping para crianças, é excesso de estímulo), é importante que os pequenos saibam admirar o silêncio, perceber um canto de passarinho e o zumbido de uma mosca ou uma abelha. Só por meio do contato com a natureza é possível amá-la, e só por meio do amor a ela é possível respeitá-la - assim, se você quiser que seu filho saiba preservar o ambiente em que vive, mais um motivo para dar a ele oportunidades de curtir esse mesmo ambiente.

As maravilhas e as surpresas da praia são outras, e tão belas quanto as do parque. Quando der, leve seu filho, mesmo muito pequeno, ao mar. Brinquem nas primeiras ondas, molhem-se, façam castelinhos de areia e peguem caranguejinhos e conchas. Tudo isso ensina. Com tudo isso se aprende.
A textura da areia e as cores dela, o fato de nem sempre o castelo ficar de pé, a dificuldade de pegar um animalzinho que se mexe e o material de que é feito uma concha (assim como o brilho da parte de dentro dela) são aprendizados para a criança pequena. Pode ser que surja uma coleção de conchas, neste caso, tente descobrir os nomes delas e ensine-os ao seu filho. Crianças adoram categorizar coisas e estão em uma excelente idade para adquirir vocabulário, inclusive o científico, que não tem nada de difícil, e assim parece para nós por puro preconceito. Levar a criança um pouquinho mais velha (trës ou quatro anos pelo menos) até aquários pode ser fantástico também.
O terceiro fascínio natural a que podemos e devemos expor a criança é o céu. Se houver a possibilidade de uma viagem curta até um local com pouca luminosidade (casas de familiares no interior, ou uma praia menos popular, por exemplo), mostre as estrelas, a Via-Láctea, identifique constelações e dê os nomes e as histórias delas aos pequenos. Amem e conheçam o universo.
Viver no Brasil tem muitas vantagens neste ponto. Nosso país é privilegiado naturalmente e oferece-nos uma abundância inimaginável de biodiversidade. Além disso, nós temos um escritor infantil que mostrou de forma belíssima as belezas e a perfeição da natureza em seus livros. Monteiro Lobato, especialmente em "A Chave do Tamanho", "Reforma da Natureza" e "Viagem ao Céu" mostrou como o mundo natural e o universo podem ser formidáveis. É uma boa ideia ler os livros com seus filhos de quatro a dez anos.
Quando forem ao parque, tirem fotos! Vai valer a pena mais tarde. E se você quiser, mande para a gente, e publicamos aqui. Envie para gabrielmsalomao@gmail.com contanto como foi o passeio e o que vocês viram de interessante.
Bom passeio!
O contato com a natureza oferece uma quantidade muito grande de possibilidades e assim desperta a curiosidade a um ponto que a casa dificilmente conseguiria. Um dia no parque pode plantar sementes de curiosidade e questões para uma semana inteira, dependendo da idade da criança (isso é especialmente verdadeiro para a faixa etária de três a seis anos). Esteja preparado para responder a estas questões e voltar à natureza em seguida.Quando a criança é muito pequena, é bom ir ao parque de manhã, quando o sol é fraco e ela está bem desperta, assim pode-se sentar na grama, e ela pode brincar um pouquinho com o entorno, mesmo que não possa se aventurar muito longe. Ficar perto de uma árvore é uma boa ideia, já que só um pequeno espaço incluindo a árvore oferece sombra, raizes, tronco (e sua casca), folhas, terra, grama e quem sabe frutos ou flores. Insetos estarão por perto também, não tema todos eles. Pequenos besouros, joaninhas, grilos ou gafanhotos, borboletas e bicos-pau não são arriscados e maravilham qualquer pequeno explorador.
É claro que é bom evitar abelhas (se as cores que vocês vestirem forem suaves e não houver açúcar nas comidas e bebidas, elas não vão aparecer) e se você não conhecer quais aranhas picam e quais não, espante todas. Mas pare por aí, outros bichinhos são mais uma fonte de conhecimento do mundo do que uma ameaça.
Montessori dizia que não é suficiente amar a criança. É necessário antes conhecer e amar o universo. Ame o universo. Procure se maravilhar com a natureza, assim como seu filho, adote de novo o olhar do explorador, que acha incrível uma folha avermelhada e se surpreende com um pássaro colorido. Mostre essas coisas a ele, não como um professor, mas como alguém que também acha tudo aquilo belo e surpreendente.
Permita que a criança passeie, que pare onde mais lhe interessar, que pegue coisas, que se suje um pouco (ou muito, a depender da sua tolerância), que fique muito tempo parada olhando algo que você sequer percebeu que existia ou que simplesmente não olhe para algo que fascinou muito a você. A maneira de pensar e de ver deles são muito diferentes da sua.
Mostre ao seu filho, nas próximas idas ao parque, como a natureza funciona. De forma descontraida e informal, mostre os ninhos dos passarinhos e explique que são as casas deles, mostre girinos e explique que são os filhotes do sapo, mostre as abelhas e as borboletas nas flores e explique que estão se alimentando e fazendo mel. Com o tempo, explicar a polinização pode ser muito interessante. Sim, você vai ter que estudar muita coisa de novo, mas não vale a pena? Para maravilhar sua criança com a natureza?
Algumas crianças, especialmente as mais velhas, podem recusar-se a ir ao parque ou ao bosque, dizendo que preferem ir ao shopping, ao parque-de-diversões ou à casa de um amiguinho. Embora nenhum desses passeios seja reprovável em si (não recomendamos o shopping para crianças, é excesso de estímulo), é importante que os pequenos saibam admirar o silêncio, perceber um canto de passarinho e o zumbido de uma mosca ou uma abelha. Só por meio do contato com a natureza é possível amá-la, e só por meio do amor a ela é possível respeitá-la - assim, se você quiser que seu filho saiba preservar o ambiente em que vive, mais um motivo para dar a ele oportunidades de curtir esse mesmo ambiente.

As maravilhas e as surpresas da praia são outras, e tão belas quanto as do parque. Quando der, leve seu filho, mesmo muito pequeno, ao mar. Brinquem nas primeiras ondas, molhem-se, façam castelinhos de areia e peguem caranguejinhos e conchas. Tudo isso ensina. Com tudo isso se aprende.
A textura da areia e as cores dela, o fato de nem sempre o castelo ficar de pé, a dificuldade de pegar um animalzinho que se mexe e o material de que é feito uma concha (assim como o brilho da parte de dentro dela) são aprendizados para a criança pequena. Pode ser que surja uma coleção de conchas, neste caso, tente descobrir os nomes delas e ensine-os ao seu filho. Crianças adoram categorizar coisas e estão em uma excelente idade para adquirir vocabulário, inclusive o científico, que não tem nada de difícil, e assim parece para nós por puro preconceito. Levar a criança um pouquinho mais velha (trës ou quatro anos pelo menos) até aquários pode ser fantástico também.
O terceiro fascínio natural a que podemos e devemos expor a criança é o céu. Se houver a possibilidade de uma viagem curta até um local com pouca luminosidade (casas de familiares no interior, ou uma praia menos popular, por exemplo), mostre as estrelas, a Via-Láctea, identifique constelações e dê os nomes e as histórias delas aos pequenos. Amem e conheçam o universo.
Viver no Brasil tem muitas vantagens neste ponto. Nosso país é privilegiado naturalmente e oferece-nos uma abundância inimaginável de biodiversidade. Além disso, nós temos um escritor infantil que mostrou de forma belíssima as belezas e a perfeição da natureza em seus livros. Monteiro Lobato, especialmente em "A Chave do Tamanho", "Reforma da Natureza" e "Viagem ao Céu" mostrou como o mundo natural e o universo podem ser formidáveis. É uma boa ideia ler os livros com seus filhos de quatro a dez anos.
Quando forem ao parque, tirem fotos! Vai valer a pena mais tarde. E se você quiser, mande para a gente, e publicamos aqui. Envie para gabrielmsalomao@gmail.com contanto como foi o passeio e o que vocês viram de interessante.
Bom passeio!
quinta-feira, 1 de março de 2012
Sorteio!
Mamães e papais,
estou pensando em um sorteio!
Por enquanto, as possibilidades são:
1. Uma edição encadernada do livro "Introdução ao Método Montessori";
2. Uma edição encadernada do livro "Filhos da Terra", traduzido por mim;
3. Uma cesta dos tesouros com alguns objetos interessantes;
4. Uma visita de meio dia para ajudar a adaptar a casa e conversar sobre o seu filho¹.
Digam-me qual opção vocês preferem! ;)
¹Se você morar muito longe, fazemos isso via computador, por vídeo-conferência, gravações da sua casa e fotografias!
estou pensando em um sorteio!
Por enquanto, as possibilidades são:
1. Uma edição encadernada do livro "Introdução ao Método Montessori";
2. Uma edição encadernada do livro "Filhos da Terra", traduzido por mim;
3. Uma cesta dos tesouros com alguns objetos interessantes;
4. Uma visita de meio dia para ajudar a adaptar a casa e conversar sobre o seu filho¹.
Digam-me qual opção vocês preferem! ;)
¹Se você morar muito longe, fazemos isso via computador, por vídeo-conferência, gravações da sua casa e fotografias!
A Criança para Montessori
Este é o terceiro capítulo do livro "Introdução ao Método Montessori", a ser publicado em 2012. Depois de ler, diga se foi útil, se foi agradável, se há problemas ou dúvidas. Eu espero seu retorno!
~.~
A Criança para Montessori
"A educação da criança muito pequena,portanto, não visa
prepará-la para a escola, mas para a vida". (Montessori, 1967)
Quando Montessori inciou seu trabalho com crianças pequenas, não tinha nenhuma ideia pré-concebida, portanto, nenhum preconceito acerca da natureza da criança ou do que seria melhor para cada idade. Todo o seu trabalho foi desenvolvido tendo como base a observação do desenvolvimento infantil.
Montessori percebeu que a criança pequena (0-6 anos) tem algumas características sempre presentes, em qualquer classe social, etnia ou localização geográfica. E.M. Standing fez uma revisão da obra de Montessori e identificou estas características:
- Amor à ordem;
- Amor ao trabalho;
- Concentração espontânea;
- Apreensão da realidade;
- Amor ao silêncio e ao trabalho solitário;
- Sublimação do instinto de possessividade;
- Poder de agir por escolha;
- Obediência;
- Independência e iniciativa;
- Auto-disciplina espontânea;
- Alegria.
Como Montessori era uma cientista, antes de ser uma educadora ou uma ativista social, seu interesse maior era descobrir a criança, e não formatá-la. Daí podermos considerar naturais as características encontradas pela médica.
Montessori dizia que toda criança nasce com estas características, todas quando muito pequenas gostam de ambientes silenciosos, procuram estar ativas (interna ou externamente), são muito concentradas - e para isto basta ver uma criança pequena brincando de algo que lhe agrade -, o tempo todo querem entender o que se passa à volta delas, quando algo lhes desperta real interesse, passam muito tempo sozinhas em torno de seu foco de investigação, não têm noção clara de posse, não possuem rebeldia inata, por si mesmas aprendem a andar e falar, ainda que não ajudemos, sabem fazer muitas coisas e a hora de fazê-las, sem ninguém ensinar, e são alegres.
Muitas vezes, estas características parecem frutos de uma boa educação formal, mas na verdade estão presentes na criança sempre que ela é deixada em liberdade. Montessori considerava que as Casas das Crianças não eram formadoras, mas possibilitavam a construção da liberdade pela criança, de forma que aquelas belas características que haviam sido adormecidas por uma criação repressora em casa ou em outra escola voltassem à tona, desta vez de forma ordenada e em um ambiente preparado para elas.
Depois de observar crianças por muitos anos, em locais que Montessori considerava adequados ao pleno desenvolvimento de sua natureza, a pedagoga chegou à completude do diagrama abaixo:
De forma sucinta, as fases em azul são mais agitadas, de crescimento intelecto-sócio-emocional mais intenso e exigem tanto do ser em desenvolvimento que por vezes ele precisa de silêncio e solidão, pois está tentando absorver tudo o que seu corpo e intelecto exigem. Em uma escala crescente, no entanto, a criança se torna um adolescente e um adulto cada vez mais sociável.
Considerando as mudanças que ocorrem em alguns momentos da vida da criança, Montessori via não ser exagero dizer que "O crescimento é uma sucessão de nascimentos". Dizia que, "Num certo período da vida, uma individualidade psíquica acaba e outra nasce". Em todas as fases a ordem maior é proporcionar um ambiente preparado para a criança, com adultos preparados também, e depois deixar a criança livre para se desenvolver.
Na fase que vai de zero a seis (0-6) anos, a criança tem uma Mente Absorvente, estando pronta a absorver tudo o que vier do ambiente. "Este período é caracterizado pelas grandes transformações que têm lugar no indivíduo", pois a criança aprende sem ser ensinada quase todas as habilidades necessárias à sua sobrevivência: come, anda, pega, fala, controla a própria atividade biológica até um certo limite e aprende a viver socialmente, ainda que com restrições impostas pelos adultos.
Há, na fase da Mente Absorvente, duas sub-fases: a primeira, de zero a três (0-3) anos, é inacessível para o adulto, não se pode exercer nenhuma influência direta sobre esta criança. Na segunda sub-fase a mente ainda é absorvente, mas agora já é acessível ao adulto - não é de se estranhar que por muitos anos a educação formal no Brasil tenha se iniciado aos seis anos, já que só então o adulto é plenamente capaz de acessar a mente da criança.
O período seguinte, de seis a doze (6-12) anos, é de crescimento, mas sem transformações, "é um período calmo e sereno". Embora haja mudanças, não há nesta época nada que possamos chamar de "nascimento", como ocorre aos seis anos.
Chamamos a terceira fase, de 12 a 18 anos, de "Filhos da Terra". Nesta época, ocorrem tantas transformações "que nos lembra a primeira fase". Assim como a Mente Absorvente, os Filhos da Terra têm duas sub-fases: a primeira dos doze aos quinze (12-15) anos, é de maior aprendizado e mais transformações, e a segunda, dos quinze aos dezoito (15-18) é aquela que prepara o indivíduo para a sociedade humana. Sobre a terceira fase, Montessori dizia que o homem deve aprender a criar, a cultivar, a desenvolver. Depois de estar plenamente desenvolvido, é hora de participar da comunidade, daí as ideias de Montessori de que se deve dar ao adolescente a oportunidade de agir socialmente, compreendendo os caminhos da produção e da economia, assim como percebendo as diferenças sociais e buscando soluções para problemas.
No período que vai dos doze aos dezoito anos, foram identificadas algumas características extremamente comuns (Donahoe, 2010), entre crianças que foram deixadas livres para se desenvolver em um ambiente preparado:
- Alegria;
- Altruísmo;
- Otimismo;
- Confiança;
- Dignidade;
- Auto-disciplina;
- Independência e iniciativa;
- Vontade de ser útil;
- Bom senso;
- Habilidade de trabalhar com os outros.
A maior parte das pesquisas de Maria Montessori se desenvolveram com crianças de 0 a 6 anos, e ainda bastante com aquelas de 6 a 12. Após os doze anos, no entanto, Montessori pesquisou muito pouco¹ e disse que apoiava as pesquisas que estavam sendo feitas levando em consideração seus princípios. Há muito mais descobertas interessantes sobre adolescentes vindo de pesquisadores de linha montessoriana do que da própria criadora do método.

Gabriel García Márquez, grande escritor e Nobel de Literatura, foi aluno Montessori e disse, depois de adulto:
"Eu não creio que haja método melhor que Montessori para fazer as crianças sensíveis às belezas do mundo e despertar sua curiosidade sobre os segredos da vida".
__
STANDING, E.M. - Maria Montessori: Her Life and Work. New York: New American Library, 1962.
MONTESSORI, Maria - The Absorbent Mind. Lexington: BN Publishing, 2011.
DONAHOE, Marta - Liberty and Hope for the Adolescent: Valorization of the Personality, 2010.
¹Publicaremos em forma de e-book a tradução de "Filhos da Terra", reflexões de Maria Montessori acerca do desenvolvimento e da educação do adolescente, ainda em 2012.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
A Educação dos Adolescentes
“acima de tudo é a educação do adolescente que é importante, porque a adolescência é o período em que a criança entra no estado da idade viril e se torna um membro da sociedade. Se a puberdade é do lado físico uma transição do estado infantil para o adulto, há também, do ponto de vista psicológico, uma transição entre a criança que tem de viver em uma família para o adulto que tem de viver em sociedade”. (Montessori, Maria – Os Filhos da Terra, tradução em revisão).
A base de
toda a educação Montessori é um conjunto formado por liberdade e independência.
Nas crianças muito pequenas, a liberdade se constrói por meio da interação
entre a criança e o ambiente, especialmente com os materiais desenvolvidos por
observação cuidadosa da natureza humana.
Conforme a
criança cresce, suas necessidades mudam, e embora os materiais continuem sendo
recursos didáticos interessantes, a formação
do homem exige cada vez mais uma educação que vai muito além da sala de
aula, e na qual a família tem – salvo raras exceções – um papel mais importante
que o da escola.
Montessori
propõe três grandes pilares para a educação adolescente
- O desenvolvimento do potencial comunicativo;
- Educação Moral, Matemática e Linguística;
- Educação como preparação para a vida.
O aprendizado
de todas as formas de arte, plásticas, textuais e musicais, deve ser
incentivado. O incentivo não pode acontecer por meio da pressão. Mas pode
surgir dos hábitos domésticos.
Musicalmente, pode-se escutar música não somente como fundo
para um bate papo, mas como atividade exclusiva, por exemplo durante uma viagem
de carro.
As artes plásticas podem ser incentivadas
com visitas ocasionais a museus – mas o passeio não pode ser vazio de
significado, o adolescente deve entender
o que vê.
A arte textual é incentivada da maneira
óbvia: a leitura. Ocorre, no entanto, que os pais acreditam que basta
incentivar a leitura dos filhos ou ler para e com eles. Não é suficiente. A
leitura deve, antes de tudo, ser um hábito dos pais. Uma casa sem livros
raramente cria uma criança e um adolescente leitores.
A Educação
Moral é desenvolvida em conversas. Mas essas conversas não devem ser só sobre
as atitudes do filho, porque na adolescência lhe interessa muito a vida no
mundo. A política, as organizações sociais, causas e consequências das atitudes
tomadas por aqueles que detém o poder são assuntos relevantes para a mente
adolescente.
O
adolescente busca ser socialmente ativo, e é uma boa ideia permitir e incentivar
a participação dele em projetos não governamentais (ONGs, cooperativas,
associações). Durante algum tempo, é previsível e saudável que ele queira se
engajar politicamente em mudanças sociais. Entretanto, segundo Montessori, nenhum tipo de violência é válido.
Assim, tudo o que envolva violência verbal, moral ou física não é recomendada
por nós.
As
educações Matemática e Linguística podem ser deixadas a cargo da escola. No
caso de o adolescente demonstrar uma curiosidade que a escola não consiga
satisfazer, procure proporcionar os recursos necessários para o aprendizado.
Segundo Montessori, nesta idade o estudo é uma resposta às necessidades da
inteligência, por isso, nunca deve ser compreendido como algo obrigatório, mas
sim como algo que o corpo e a mente do adolescente pedem. Só é necessário saber
o que ele quer estudar, e auxiliá-lo nesta busca se necessário.
A educação
como preparação para a vida envolve:
1. O estudo da terra e das coisas
vivas;
2. O estudo do progresso científico e a
construção das civilizações;
3. O estudo da história da humanidade.
Montessori
dizia que uma das buscas do homem é o aperfeiçoamento da natureza, ou como ela
coloca: a construção de uma super-natureza. Esta construção se daria por duas
vias: o progresso científico e os esforços de paz. As sociedades e a natureza
seriam mais perfeitas quanto mais se aproximassem da paz e da compreensão
científica da realidade.
Os estudos
científicos e históricos, assim como os sociológicos, não precisam ser
especialidades dos pais, mas é necessário que os pais estudem sempre, algo que
seja de seu gosto, para mostrar aos filhos o prazer do conhecimento. Da mesma
maneira, é importante saber identificar as áreas palas quais o adolescente mais
se interessa, e dar todo o suporte necessário para o conhecimento florescer.
Hoje, com a
internet, é muito fácil ter acesso a todo tipo de informação. Para isso, é
necessário que o adolescente conheça línguas além do português. O estudo das
línguas estrangeiras é ao mesmo tempo aquisição cultural e de ferramentas, e
servirá a diversos propósitos durante toda a vida.
Dois pontos
adicionais devem ser abordados aqui. Primeiro, a independência adquirida pelos
muito pequenos é a física. Em seguida, dá-se alguns passos em direção à
independência intelectual. Para o adolescente, a forma de independência
necessária é a financeira. Assim, aprender a lidar com o dinheiro é
extremamente relevante, e adquirir um ofício técnico é muito bom para a mente e
o corpo do jovem.
Saber
executar trabalhos manuais, assim como ter alguma prática com o cultivo da
terra e responsabilidades em casa são pontos importantes do desenvolvimento
adolescente, desde que todas as suas tarefas lhe sejam atribuidas mais com fins
didáticos do que práticos. A habilidade de utilizar a mão para trabalhar é
relevante porque o jovem deve perceber que todos os tipos de trabalho são
desafiadores e todos devem ser igualmente respeitados. Além disso, conhecendo
diversos tipos de ocupação antes de prosseguir à Universidade, poderá escolher
seu curso com muito mais certeza e tranquilidade.
Em segundo
lugar, nesta idade, o convívio com a natureza é muito importante. Se desejamos
criar uma civilização melhor, uma super-natureza, devemos conhecer a perfeição
da natureza em toda sua magnitude. Passeios para o campo ou para a praia, trilhas,
acampamentos, navegações, todas as alternativas são válidas, desde que o
adolescente faça coisas. Ele pode simplesmente observar a natureza, mas é menos
válido que vá simplesmente para divertir-se, sem nenhuma ocupação mental. Quando
insistimos na ocupação mental, deve-se ao fato já mencionado de que o estudo
responde às necessidades da inteligência adolescente.
Para compreender melhor o conteúdo deste artigo, você pode ler sobre “valorização” da alma
adolescente, em textos escritos por estudiosos do método Montessori. A pequena pesquisa
que o autor deste blog desenvolve é sobre a educação de adolescentes, portanto,
ficamos à disposição para tirar quaisquer tipos de dúvidas. Sabemos que as
ideias expostas aqui são muito gerais e estamos prontos a auxiliar você em suas
questões mais específicas.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
O que é o Método Montessori
Fiéis à nossa promessa de publicar pelo menos um texto por quinzena, damos para você, abaixo, o texto do segundo capítulo do livro "Introdução ao Método Montessori". Esperamos críticas e sugestões, para que o livro seja lançado ainda este ano!
~.~
O
que é o Método Montessori
Método
Montessori é o nome que se dá ao conjunto de teorias, práticas e materiais
didáticos criado ou idealizado inicialmente por Maria Montessori. Além de um
conjunto de técnicas voltadas especialmente para a educação escolar, o método
Montessori tem uma maneira de enxegrar a criança.
De
acordo com Maria Montessori, o ponto mais importante do método é, não tanto seu
material ou sua prática, mas a possibilidade criada pela utilização dele de se
libertar a verdadeira natureza do indivíduo, para que esta possa ser observada,
compreendida, e para que a educação se desenvolva com base na evolução da
criança, e não o contrário.
Montessori
escreveu que o desenvolvimento se dá em “períodos sensíveis”, de forma que em
cada época da vida predominam certas características e sensibilidades
específicas. Sem deixar de considerar o que há de individual em cada criança,
Montessori pode traçar perfis gerais de comportamento e de possibilidades de
aprendizado para cada faixa etária, com base em anos de observação.
A
compreensão mais completa do desenvolvimento permite a utilização dos recursos
mais adequados a cada fase e, claro, a cada criança em seu momento, já que as
fases não são estanques e nem têm datas exatas para começar e terminar.
Estudando
o método Montessori, identificam-se três pilares:
① Auto-educação
② Conhecimento como ciência
③ Educação Cósmica
A
auto-educação surge pela liberdade
dada à criança para executar as atividades que lhe despertem maior interesse.
Desta maneira, o professor pode observar quais os focos do interesse
do aluno e, a partir deles, organizar as atividades que serão apresentadas.
Este princípio leva ao respeito pelo ritmo daquele que aprendee leva à
construção de um ambiente preparado especial para cada fase de três ou seis anos.
O
conhecimento como ciência leva ao
aperfeiçoamento do ensino e da aprendi-zagem. O professor deve ser
absolutamente objetivo no que ensina, assim a criança compreende com muito mais
tranquilidade. Este pilar leva à análise do desenvolvimento de cada criança e à
percepção objetiva das dificuldades e facilidades do aluno. Este ponto do
método conduz a construção do conhecimento da criança de forma que ele sempre
tenha como fundamentos o que se conhece com certeza, para que, tendo uma base
sólida de realidade, o aluno possa desenvolver sua criatividade e imaginação.
A Educação Cósmica é uma
maneira de educar de forma que o estudante perceba, em um determinado momento,
as interconexões e interdependências de tudo o que há no cosmos. A Educação Cósmica é, também, uma forma
de ordenar o conhecimento e o currículo escolar. Cosmos, em oposição a caos,
significa ordem, e sabemos que quanto mais ordenado for o conhecimento
que devemos receber, mais facilmente o compreenderemos de verdade. Esta forma
de educar permite despertar diversos interesses na criança e permite descobrir
em cada um qual o objeto de reflexão que lhe fascina, assim, como sempre
acontece em Montessori, o método é moldado para o aluno, e não o aluno pelo
método.
O
método Montessori tem sido utilizado com sucesso em milhares de escolas por
todo o mundo, assim como em hospitais, casas de repouso e lares. Entre suas
utilizações alternativas mais interessantes está uma opção de tratamento de
Alzheimer colocada em prática nos Estados Unidos:
"We try to plan all our activities using familiar, real-life
materials" [...] "One of the most validating developments of the
Montessori approach is that residents in the early stages of Alzheimer's can
help those in the later stages of the disease." [...] "This program
has received enthusiastic endorsement, not only from administration and staff,
but also from residents' families" (http://findarticles.com/p/articles/mi_m38 30/is_6_52/ai_103194330/?tag=content;col1)
"Tentamos planejar todas as nossas atividades utilizando materiais
familiares, da vida real" [...] "Um dos desenvolvimentos que melhor
validam a abordagem Montessori é que os residentes em estágios menos avançados
de Alzheimer podem ajudar aqueles em estágios mais avançados" [...] "Este
programa tem recebido a aprovação não só da administração e do staff, mas
também das famílias dos residentes".
Algumas das maiores personalidades
do mundo moderno foram educacadas em Montessori. Entre eles, estão os
fundadores da Google, e Andrew McAfee, colunista da Harvard Business Review.
"Cheguei no país com seis anos e
imediatamente fui para uma escola Montessori. [...] Eu realmente acho que me
beneficiei da educação Montessori, que de algumas maneiras dá aos alunos muito
mais liberdade para fazer as coisas do seu jeito, e para descobrir.
Interessante
que meu parceiro Larry Page também tenha ido a um jardim de infância e
pré-escola Montessori; é algo que temos em comum.
Eu acho
mesmo que algum crédito da vontade de ir atrás de seus interesses... você pode
ligar isso àquela educação Montessori".
"Estou muito contente de saber que o método Montessori está
começando a ser utilizado em escolas públicas [nos Estados Unidos]. E estou
ansioso por mais pesquisas sobre as vantagens e desvantagens desta abordagem
educacional. Até que me convençam do contrário, continuarei a acreditar em
Montessori e a recomendá-lo para os pais".
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Aprendendo a usar o banheiro
Este artigo é uma tradução com pequenas adaptações do capítulo "Introducing the Toilet", do livro "How to Raise an Amazing Child the Montessori Way", do Tim Seldin, presidente da Montessori Fundation. Nós incentivamos a compra da obra, tanto para você, quando como apoio ao fantástico trabalho do autor e dos designers do livro.
A utilização do vaso sanitário ou do penico depende do tempo da criança e não de sua idade e nem mesmo da vontade do adulto. A maturação do sistema nervoso e a vontade de ser independente é que vão dizer quando é a hora de sair das fraldas e usar o vaso. No entanto, havendo observação cuidadosa, um ambiente preparado sempre ajuda. Tenha um penico ou um vaso sanitário que a criança possa alcançar, assim como roupas de baixo de algodão na altura da criança e uma pia baixa ou um banquinho no banheiro.
Mais ou menos com um ano, ou durante o segundo ano de vida, a criança começa a se interessar pelo penico, ou pelo vaso. Eles se interessam pelo "fazer cocô" e pelo "fazer xixi", assim como pela água do vaso. Às vezes, querem brincar com ela. Quanto à água, procure oferecer bacias mais apropriadas, baldes, ou utilizar a pia ou uma banheira com água. O interesse da criança pelo cocô e pelo xixi nada tem de não-pudico e se trata de uma válida curiosidade sobre aquilo que seu corpo é capaz de expelir. Explique a ela o que é a urina e o que são as fezes, dizendo que são a água e a comida que nosso corpo não utilizou.
Em vários momentos no blog, dissemos como é importante permitir à criança que vista-se e se dispa. Aqui, esta liberdade se faz importante. A criança nesta idade se interessa mais e mais por essas atividades e pode tentar vestir roupas de baixo de seus irmãos ou pais - este pode ser um sinal de que ela talvez queira se tornar independente das fraldas, e portanto esteja curiosa sobre o uso do penico.
Mais ou menos com um ano e meio a criança já consegue controlar sua bexiga e seu intestino, em certa medida, e tem interesse em fazê-lo, além da habilidade física para tanto. Dar ao seu filho a chance de utilizar mais cuecas ou calcinhas e menos fraldas realmente ajuda a despertar a consciência corporal para estas funções orgânicas.
É claro que de vez em quando vai acontecer um pequeno acidente. Isso vai acontecer no começo, em todas as habilidades que a criança for adquirindo. Mas é realmente no começo, e faz parte de todo o processo de conquista de autonomia. As fraldas não auxiliam na sensibilidade, e o seu filho perceberá muito mais que fez xixi ou cocô na hora errada se utilizar roupas de baixo de algodão.
No caso de acidentes, fique calmo e tranquilo. Deixe à disposição de seu filho roupas de baixo limpas, providencie um cesto baixo de roupas sujas e deixe panos de chão ou velhas toalhas para que ele possa limpar o resultado dos acidentes. Ajude se seu filho pedir ou se você vir que ele está realmente triste ou estressado, mas não se apresse a ponto de fazê-lo se sentir envergonhado.
Muitas crianças vão querer se sentar no vaso ou num penico somente para imitar os mais velhos, apesar de não terem aprendido a controlar a bexiga ou os intestinos. Auxilie sua criança com este interesse, mostre devagar a ela como se baixa as calças e a roupa de baixo, como se senta corretamente no vaso, e ensine-a que deve lavar as mãos sempre.
Usar o vaso é um processo natural, que começará quando seu filho desejar se tornar um "mocinho" independente e quando as funções neurológicas necessárias estiverem estabelecidas. Nós não ensinamos as crianças a usar o banheiro, nós as apoiamos quando elas estão prontas.
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