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domingo, 30 de setembro de 2012

Minimalismo e Montessori

Há alguns dias publiquei no Diário Minimalista um pequeno texto sobre minimalismo e Montessori. Agradou a alguns leitores que chegaram lá por interesse em Montessori, e agradou a outros que chegaram por interesse em minimalismo. Pelo resultado com os leitores montessorianos, achei que seria uma boa ideia colocar o texto aqui também! Espero que lhes seja interessante!

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   Eu já disse em um post anterior que meu maior foco de estudo e trabalho é o Método Montessori. Quando comecei a ler sobre minimalismo, pensei: puxa, se existisse um método de ensino minimalista ia ser incrível! Já pensou? O professor só falar o suficiente, não atrapalhar o raciocínio dos alunos com muitas palavras, levar todas as imagens necessárias, mas sem uma overdose de ilustrações que possa confundir. Uma sala com um mínimo de carteiras, grandes e bonitas, e com muito espaço livre, num ambiente agradável aos olhos, leve e em que tudo fosse útil... Seria incrível, não?

   No parágrafo acima, eu acabei de descrever o método Montessori. Em Montessori, o professor fala muito pouco, e somente o necessário. Todas as palavras que ele pronuncia são úteis e detalhes não saem de sua boca, pois percebemos que detalhes confundem. Poucas e boas palavras realmente ensinam. Existem muitos materiais, muitos mesmo, mais de uma centena. Mas todos são belos, de cores suaves e, mais importante, todos ensinam.

Sala da escola montessoriana Tip-Toe
   A sala montessoriana é grande sempre. Mas há poucas mesas e muito chão livre. Neste chão os alunos estendem tapetes e trabalham com os materiais em quase silêncio e com todo o tempo que precisarem. Não há figuras de desenhos animados ou quadrinhos nas paredes, e em vez delas encontramos belíssimas reproduções de quadros importantes da nossa cultura colocados com um bom espaço entre um e outro, para que os olhos da criança não fiquem nunca cansados.

   Há amplas janelas em qualquer ambiente montessoriano. Deve haver muita luz, muito ar fresco. As crianças em um ambiente assim são deixadas em liberdade e por isso são tranquilas, alegres, sorriem bastante, sabem conversar, são muito educadas e até aprendem a ler mais cedo!

Quarto montessoriano
   Engana-se, no entanto, quem acha que tudo isso é feito para que as crianças aprendam mais e mais cedo. Não. É justamente porque elas gostam de aprender deste jeito que nós montamos a sala desta forma e nos comportamos assim. Elas nos mostram como aprendem melhor, e nós modificamos a sala e o comportamento para satisfazer a natureza delas. Elas agem, nós observamos. Elas falam, nós escutamos. Elas trabalham (bom, nós também, e muito, mas principalmente) nós organizamos o ambiente de trabalho delas.

   Talvez por ter sido educado em uma escola Montessori e ter feito deste método o foco da minha vida, eu tenha achado tão simples e agradável o estilo de vida minimalista. Eu já conhecia o método de ensino minimalista, só não sabia que o nome dele começava justamente com m.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Manual do Proprietário de uma Criança Montessori


Texto de Donna Bryant Goertz, disponível em http://mariamontessori.com/mm/?p=1674
Tradução de Gabriel Merched Salomão distribuída com autorização da autora


   Queridos pais,

   Eu quero ser como vocês. Eu quero ser exatamente como vocês, mas quero me tornar como vocês do meu jeito, no meu tempo, pelos meus esforços. Quero assistir a vocês e imitar vocês. Eu não quero ouvir vocês, a não ser por umas poucas palavras de cada vez - a menos que vocês não saibam que eu estou ouvindo. Eu quero trabalho, quero realmente me esforçar com algo muito difícil, algo que eu não consiga fazer imediatamente. Eu quero que vocês deixem o caminho livre para os meus esforços, e quero que me dêem os materiais e ferramentas necessárias para que o sucesso seja possível depois das dificuldades iniciais. Eu quero que vocês me observem e vejam se eu preciso de uma ferramenta melhor, um instrumento mais do meu tamanho, uma escada mais alta e mais segura, uma mesinha mais baixa, uma caixa que eu mesmo possa abrir, uma estante mais baixa, ou uma demonstração mais clara de algum processo. Eu não quero que vocês façam para mim, ou me apressem, sintam pena ou me parabenizem. Só fiquem calmos e me mostrem como fazer as coisas devagar, muito devagar.

   Eu vou querer fazer um trabalho todinho de uma vez e sozinho porque eu vejo vocês fazendo, mas isso não funciona para mim. Sejam firmes e coloquem limites para mim nessa hora. Eu preciso que vocês me dêem pequenas partes do trabalho inteiro e me deixem repetir de novo e de novo, até que eu faça tudo perfeitamente. Vocês dividem o trabalho em partes que serão muito difíceis, mas possíveis de fazer com bastante esforço, com muitas repetições e com muita concentração.

   Eu quero pensar como vocês, comportar-me como vocês, e ter os mesmos valores que vocês. Eu quero conseguir tudo isso pelo meu trabalho, imitando vocês. Falem devagar. Usem poucas e sábias palavras; Movimentem-se devagar; Façam as coisas em câmera lenta para que eu possa absorvê-las e imitá-las.
Se vocês confiarem em mim e me respeitarem, preparando meu ambiente doméstico e me dando liberdade dentro dele, eu vou me disciplinar e cooperar com vocês mais pronta e frequentemente. Quanto mais vocês se disciplinarem, mais eu vou me disciplinar. Quanto mais vocês obedecerem as leis do meu desenvolvimento, mais eu obedecerei vocês.

   Nós temos tanta sorte, eu e vocês, que dentro de mim haja um plano secreto para o meu jeito de ser como vocês. Eu sou guiado pelo meu plano secreto. Eu sou feliz e estou seguro o seguindo. É irresistível para mim. Se vocês interferirem com o trabalho de me revelar de acordo com meu plano secreto e tentarem me forçar a ser como vocês do jeito de vocês, no tempo de vocês e pelo esforço de vocês, eu vou esquecer de trabalhar no meu plano secreto e vou começar a lutar contra vocês. Eu decidirei levantar guerra contra vocês e contra tudo o que vocês defendem. É minha natureza. É meu jeito de me proteger. Podem chamar isso de integridade.

   Dependendo da minha personalidade, eu promoverei uma guerra mais aberta ou mais encobertamente. Eu brigarei mais ativa ou passivamente. Uma quantidade imensa de minha energia, do meu talento e inteligência será desperdiçada. Vocês vão ganhar no final, provavelmente, mas eu serei só uma versão mais fraca, uma substituição pobre, um molde tosco daquilo que eu sou capaz de ser, e vocês vão ficar exaustos. Por favor, aliviem a tensão para todos nós preparando o ambiente em casa para que eu possa executar meu trabalho de criar um ser humano e vocês possam se manter no trabalho de educar um. Eu farei o que faço melhor e vocês farão o que fazem melhor.

   Eu sou capaz de ser o melhor exemplo de suas melhores qualidades e valores expressos do meu jeitinho. Se vocês prepararem a casa cuidadosa e completamente para mim, mantiverem meus materiais em ordem e em bom estado, colocarem limites claros e firmes, derem-me períodos longos e lentos para trabalhar no meu plano secreto, eu farei o trabalho de desenvolver um novo ser humano - eu! Eu mencionei que preciso dos materiais em todos os ambientes da casa? Eu preciso de materias disponíveis para acesso rápido e fácil, sempre que eu estiver em casa e onde quer que vocês estejam. Eu preciso ter a opção de trabalhar e brincar perto de vocês. Na maior parte do tempo, eu preciso fazer as atividades perto da estante ao qual elas pertencem para que eu crie o hábito de guardá-las depois de usar.

   Meu plano secreto para me desenvolvier é executado totalmente pela mão - mãos, digo, as minhas duas, para ser exato. Eu sou um bom artista, um excelente artesão e preciso das melhores ferramentas e materiais. Não me dê coisas inúteis e em excesso, só uns bons materiais que sejam completos e estejam em bom estado. O excesso é pior que desnecessário; é perturbador. Atrapalha meu processo criativo. Me deixa irritado e eu coopero menos com vocês. Eu sei que é difícil de acreditar que por meio das atividades que eu escolho e executo independentemente e em estado de profunda concentração eu esteja desenvolvendo meu caráter, mas é verdade. Eu não posso fazer um bom caráter com um excesso de coisas inúteis e no meio da bagunça.

   Minha casa é meu estúdio e meu ateliê, então por favor, certifiquem-se de que ele seja calmo e pacífico. Coloquem músicas leves e tranquilas para tocar enquanto eu estiver acordado. Assistam televisão só depois que eu estiver dormindo. Enquanto estou acordado, faço todo o barulho de que preciso. Ah, e eu preciso que tudo fique em ordem. Eu não posso dar o melhor de mim na bagunça. Eu não sei como ordenar as coisas sozinho, mas eu preciso da ordem, então eu preciso que vocês arrumem tudo para mim pelo menos três vezes por dia. Se vocês ordenarem as coisas para mim de um jeito prático e que seja esteticamente prazeroso e faça sentido para o meu raciocínio lógico, eu vou, devagarinho, imitar vocês mais e mais.

   Em algum momento, vocês poderão me mandar colocar as coisas no lugar sozinho, quando eu tiver uns seis anos, desde que vocês se lembrem de checar tudo comigo até os nove anos. Eu não consigo lidar com o acúmulo de um dia inteiro de coisas para guardar, e muito menos o de uma semana inteira. Eu certamente nunca serei capaz de lidar com um mês de bagunça. Se vocês se distrairem e esquecerem de me ajudar a guardar tudo durante o dia e a bagunça se acumular, vocês vão ter que guardar tudo à noite.

   Eu odeio ser tão exigente, mas eu preciso ter todos os meus objetos organizados e dispostos em conjuntos completos que eu possa alcançar, de forma que eu possa pegá-los sozinho. Se eu tiver de pedir para vocês toda vez que precisar de alguma coisa, eu vou começar a me sentir um capitão, um general ou um inválido chorão. Parem e pensem, eu realmente poderia assumir um ou outro desses papéis. Nenhum de nós deseja isso. Eu preciso de independência como eu preciso de oxigênio. Ela me faz apresentar o melhor de mim. O tempo que vocês gastam organizando meu ambiente será o tempo que vocês economizarão não tendo que lidar com meu lado petulante, rebelde e teimoso.

   A televisão é uma grande interrupção no meu desenvolvimento. Desculpe! Eu sei que vocês não querem ouvir isso: eu preciso de muitas atividades manuais e preciso de muito tempo de processamento. A TV me distrai das atividades mais importantes e enche minha cabeça com mais do que eu tenho tempo para processar. Leiam para mim todos os dias, porque a leitura vai devagar, e me dá tempo para processar junto. A TV me amontoa com mais do que eu sei usar, então ou eu desligo ou fico frenético. Eu sei que vocês podem achar que alguns programas são bons para mim, e vocês podem achar que merecem a folga que a TV dá para vocês, mas nós todos pagamos um preço alto para cada meia hora que eu assistir.

   Eu não resisto à TV, mas tudo bem, porque qualquer criança de três a seis anos tem pais, e é para isso que os pais servem. A TV me deixa distraido, irritado, e me faz não cooperar com vocês. Quanto mais eu assistir, mais eu quero assistir, e aí surgem problemas entre nós. Se vocês não conseguem dizer não para o hábito de ver TV agora, onde está meu exemplo para dizer não para outros maus hábitos mais tarde? Além disso, quanto mais eu vejo TV, menos eu quero ser como vocês. Lembrem-se, eu imito o que assisto. Ah sim, cuidado também com os jogos de videogame e computador pelos quais eu vou implorar e que todos os meus amigos têm. Sei que vocês conseguem!

   Geralmente, eu vou estar tão concentrado nos meus trabalhos e brincadeiras que não vou ouvir vocês quando falarem comigo. Não piorem as coisas falando de longe ou repetindo o que vocês disseram. Abaixem-se até o nível dos meus olhos, pertinho do meu rosto, consigam minha atenção e olhem nos meus olhos antes de falar. Então, façam das suas palavras poucas, firmes e respeitáveis. Vocês vão economizar muito sofrimento desnecessário se lembrarem de fazer assim. Eu sei que não vai ser fácil lembrar, mas se vocês se esforçarem bastante, podem fazer disso um hábito. Afinal, se vocês não fizerem o que devem, como podem esperar que eu faça o que devo?

   Se você não tiverem tempo, energia ou, odeio dizer isso, auto-disciplina para seguir aquilo que vocês dizem, não digam. Ameaças vãs e promessas vazias me fazem desprezar vocês. Vocês ficam parecendo bobos, arbitrários e fracos. Eu sei que eu ajo como se quisesse conduzir o universo sozinho, mas é só bravata. Eu realmente preciso de pais para conduzirem meu mundo. Quando eu não posso confiar que vocês querem dizer o que dizem, eu não posso acreditar em vocês. Isso me faz sentir inseguro e eu chego a alguns extremos. É assustador porque eu amo vocês demais. Eu preciso respeitar vocês e acreditar que vocês querem dizer o que dizem. Vocês são a parte mais importante do meu ambiente em casa.

   Vocês se alegrarão de saber que parte do meu plano secreto pede que eu ajude com a casa e o jardim. Não, não pode ser quando vocês quiserem, quando vocês tiverem tempo ou estiverem com vontade. Tem que ser quando eu me interessar. Desculpe, não dá para negociar isso. Afinal, sou eu quem está criando um ser humano aqui. Vocês só estão educando um. Bom, eu acho que não serei de nenhuma ajuda, na verdade, não imediatamente ou diretamente. Vai ser uma complicação. Eu preciso do equipamento no tamanho certo, de demonstrações cuidadosas e de muito tempo e paciência.

   Assim que eu tiver dominado uma habilidade, e me tornar capaz de realmente ajudar, vou cansar e escolher não fazer aquilo de novo. Aí eu vou querer aprender algo novo, que exija ainda mais habilidade e desenvoltura e vocês vão ter de começar tudo de novo. Isso vai acontecer mais ou menos uma vez por semana pelos próximos seis anos e vai ocupar bastante do seu tempo tão valioso e escasso. No longo prazo, no entanto, vai ser de grande ajuda, porque eu vou me sentir tão envolvido com a casa e com a família que serei muito mais razoável e cooperativo quanto aos nossos valores e regras. Eu também serei tão capaz, independente e auto-suficiente quando eu tiver uns nove anos que é bastante razoável esperar que eu faça minha parte na casa e no jardim. Eu terei desenvolvido obediência.

   Eu sei que minhas necessidades são grandes e muitas. Eu sei que estou pedindo muito de vocês, mas vocês são tudo que eu tenho de verdade. Eu amo vocês e eu sei que vocês me amam além da razão e dos limites. Se eu não puder contar com vocês, com quem eu contarei? Mas não vamos fantasiar. Não precisa ser perfeito. Eu sou forte e resistente. Eu sobreviverei e farei o melhor. Só achei que vocês poderiam querer ter o capítulo sobre Cuidados Básicos com o Ambiente Doméstico do Manual do Proprietário sobre uma Criança Montessori. Vocês podem fazer os próximos três anos serem muito mais divertidos para nós todos se cuidarem de mim conforme minhas necessidades. Ei, nós podemos combinar que vamos satisfazer 50% das minhas necessidades? Ok, Ok, 25% e não se fala mais nisso.

   Amor, abraços e beijos,
   Seu filho de três a seis anos.

   PS: Eu sei que tenho muita sorte. Não são muitos os filhos cujos pais vão realmente ouvir e atentar para suas necessidades em vez de ceder às teimosias e chororôs. Talvez eles temam que seus filhos deixem de amá-los. Talvez temam que seus filhos não sejam populares. Eu vou guardar isso para o Capítulo Seis.
   Quanto mais eu assistir TV, mais eu vou reclamar por tédio, porque aos poucos eu vou perder minha tendência natural a seguir meus Períodos Sensíveis - sabem, aquela atração a certas atividades durante períodos determinados do desenvolvimento. Sem a interferência da TV, uma incansável sensação de insatisfação criativa me leva a explorar o ambiente, focar minha atenção em uma atividade, concentrar-me nela, e repeti-la. Sob a influência da TV, a mesma sensação incansável se torna um monstro de cara feia chamado “tédio”, que tiraniza a vocês e a mim, desgasta nossa relação e compromete meu melhor desenvolvimento.


    - Donna Bryant Goertz, fundadora da Austin Montessori School, em Austin, Texas, atua como uma fonte para escolas ao redor do mundo. O livro de Donna, “Children Who are Not Yet Peaceful: Preventing Exclusion in the Early Elementary Classroom” baseia-se em seus trinta anos de experiência guiando uma comunidade de trinta e cinco crianças entre seis e nove anos. Ela recebeu seu diploma de Ensino Básico Montessori da Fondazione Centro Internazionale Studi Montessoriani, em Bérgamo, Itália, e seu diploma de assistente para a infância pelo The Montessori Institute of Denver, no Colorado.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

À mãe os filhos dizem: Obrigado

Qual não foi minha alegria quando, hoje, visitando a página do Google, deparei-me com isto:
Hoje mais cedo eu havia feito um discurso na PRIMA - Escola Montessori de São Paulo, encerrando o Sarau de Aniversário da escola e de Maria Montessori, e já estava bastante emocionado com muita coisa. O grupo Montessori para Mamães, sob a organização de Nádia M. Monteiro está organizando uma divulgação massiva de Montessori para este dia 31 de agosto, e isso também me emocionava, quando entrei no Google e vi o desenho acima.

É uma homenagem, justa e bela, a Maria Montessori. Um Doodle, feito pela empresa de dois dos maiores exemplos de alunos montessorianos. Recentemente, no livro In the Plex, sobre a empresa, é dito que seria impossível entender a Google sem saber que seus dois criadores estudaram em Montessori.

A forma do Google dizer "obrigado" é esta: oferecer àqueles que realizam as três milhões de buscas diárias em seu serviço a possibilidade de conhecer a responsável pela educação que tiveram seus fundadores.

Escreveremos mais tarde um texto de agradecimento a Maria Montessori também, mas por enquanto deixamos nossa admiração aos filhos tão caros que publicamente agradecem.

Até mais tarde,
Gabriel


sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Incrível Center for Montessori Education


Depois de visitar a American Montessori Society e sorrir até sentir cãibras nas bochechas, eu voltei para o Iona College, em New Rochelle, sabendo que logo alí, a menos de 30 minutos de caminhada do meu quarto, estava montado um dos melhores centros de treinamento Montessori, para um curso de formação de professores e diretores de escola.

Mal entrei no meu quarto, liguei o laptop e escrevi quem eu era, quem me havia indicado o Center for Montessori Education (CME) e porque exatamente eu gostaria muitíssimo de passar uma manhã lá. A resposta não me deixar mais contente:

Caro Gabriel, é bom receber sua mensagem. Também enviei seu email para Biff Maier e Michael e D’Neil Duffy (eles escreveram o livro sobre Educação Cósmica). Vamos coordenar uma manhã para você estar conosco. Quando você pode vir? Ansiamos por encontrá-lo. Marie.

A Marie, que respondeu, é Marie Dugan, que coordena o CME e já foi presidente da American Montessori Society, além de ter assumido diversos outros postos lá dentro. Eu não sabia disso quando conversamos, e só descobri voltando para o Brasil – foi bom. Senti-me mais à vontade e acho que consegui aprender mais assim, sem o medo do julgamento de alguém com tamanha experiência. Já o Biff Maier é um pesquisador incrível, que escreveu “Tornando-se um Educador Cósmico”, um dos melhores textos sobre Educação Cósmica que já li na vida. O casal Duffy eu não conhecia nem de nome até esse o momento, e vim a ver quanto tempo perdi quando tomei contato com o livro dos dois, “Children of the Universe”, um presente para qualquer um que queira montar um currículo de Educação Cósmica para uma escola Montessori.

Marie Dugan e eu tivemos de trocar vários e-mails até conseguirmos combinar nossa conversa para quarta-feira de manhã. Não era o melhor dia para ela – o melhor era terça. Mas era o possível para mim. Na manhã da terça eu acompanharia meus alunos em uma excursão obrigatória. Acabou, no entanto, que na manhã da terça eu descobri que a excursão havia sido transferida para a tarde. Em ordem, o que fiz foi: tomar café da manhã mais rápido, pedir para o segurança da escola chamar um táxi, conferir se eu tinha dinheiro trocado, pegar meu caderno e ir. Esqueci, portanto, a câmera, uma pena. Mas melhor que esquecer o caderno.

Cheguei. Era na Universidade de New Rochelle, que eu não conhecia. Pedi uma dica para a segurança na porta, e ela me indicou a sala. Foi quase uma piada quando eu entrei, porque as salas não estavam exatamente em ordem – ou melhor, elas estavam, mas eu demorei para identificar qual era a ordem. Parecia uma criança pequena diante da Torre Rosa. Finalmente, consegui encontrar a sala à qual deveria me encaminhar e descobri que estava havendo uma aula lá dentro. Eu não queria interromper.

Dei umas olhadinhas pelo vidro, mas eu não sabia qual daquelas quarenta pessoas era a Marie Dugan, então sentei num baquinho na frente da porta e decidi que pediria ajuda ao primeiro que fosse ao banheiro. Por sorte, a primeira a sair da sala foi uma das organizadoras do curso, e chamou a Marie prontamente para mim. Ela veio, sentou-se ao meu lado, e conversamos um pouquinho. Eu me apresentei de novo... Acho que nestes dois dias me apresentei mais vezes que no resto da minha vida todinha. Depois de conversar um pouquinho comigo, Marie me levou até o casal Duffy. Biff Maier não estava mais lá, já tinha voltado para casa. Em poucas palavras, os dois são as pessoas muito competentes mais fofas que eu já conheci!

O casal Duffy (de quem eu não encontrei fotos) e Carole Wolfe (fundadora do CME) conversaram comigo por quase uma hora. Perguntaram tudo sobre a pesquisa que faço na Faculdade de Educação da USP, quiseram saber como era a escola onde eu trabalhava, contei para eles historinhas de projetos nossos e uma anedota que adoro sobre transformações que ocorrem em adolescentes num ambiente livre. Eles, em contrapartida, me deram contatos preciosos (mais contatos!), falaram-me sobre o que é mais importante na educação Montessori adolescente, sobre como abordar Educação Cósmica no Fundamental II e me disseram que devo compartilhar tudo o que descobrir com a pesquisa, por menor que seja, porque o mundo todo está buscando formas de construir uma educação Montessori ideal para adolescentes, e tudo o que der para saber pode ajudar muito. Falaram-me também sobre iniciativas montessorianas em escolas públicas: todos os estados americanos têm pelo menos uma escola pública e já há iniciativas assim em Porto Rico. Mas a melhor parte ficou para o final: quem começou todo esse movimento por Montessori em escolas públicas foi a Celma Perry, que é uma brasileira expert em Montessori, fundadora do Seton Montessori Institute, em Chicago! Quanto orgulho senti do meu país nessa hora!

Depois do bate papo, os Duffy assinaram os livros que comprei deles (“Children of the Universe” e “Love of Learning”) e todos me desejaram muitos e muitos boas sortes! Eu aceitei todos os votos e trago-os para o Brasil comigo. Que tenhamos muita sorte, porque vamos precisar, se quisermos fazer de Montessori a porta de entrada para o futuro brilhante que espera nossas crianças!

O próximo artigo que eu publicar aqui já vai ser sobre educação em casa. Passei tempo demais sem novidades para vocês e já estou me sentindo culpado. Mas quero pedir uma coisa: espalhem! Espalhem! Quem for bom de desenho, desenhe campanhas. Quem for bom de contatos, contate pessoas que podem conhecer Montessori e se apaixonar! Visitando mais gente que trabalha com isso há 30 ou 40 anos foi possível para mim ver muito nitidamente como é compensador espalhar Montessori! Vamos juntos, e até o próximo post!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Minha visita à American Montessori Society

Quanto tempo!

Neste mês de julho viajei com um grupo de onze alunos para Nova Iorque. Eles vieram participar de um curso de inglês em New Rochelle, com a Rennert Bilingual, e eu vim tomar conta da garotada. Voltaremos neste sábado, e a estada aqui tem sido muito legal. Eu não conhecia os Estados Unidos e NI realmente tem coisas fantásticas de se ver e para conhecer.

Antes de decolar para cá, é claro que eu parei um pouco no Google para descobrir o que havia de montessoriano por estas terras. Minha primeira busca foi pela localização do quartel general da American Montessori Society (AMS), que eu descobri ficar bem no coração de Manhattan. Portanto, enquanto fazia as malas, já pensava que teria de visitá-la! O problema era que eu não sabia em que dia eu teria um tempinho para fazer isso, porque desde que comecei a trabalhar com viagens (em 2009), só recebíamos o calendário de atividades da escola quando chegávamos, e este ano foi igualzinho.

Só em uma terça-feira à noite é que descobri que poderia visitar a AMS na quarta-feira de manhã. Enviei um e-mail em cima da hora e não esperei resposta. Estava lá às 9h00 do dia seguinte. Ninguém sabia muito bem o que fazer quando eu cheguei - nem as secretárias que me receberam e nem eu que fui recebido. Eu sabia que queria conhecer gente, achar material de leitura, quem sabe um poster ou uma camiseta. Mas não sabia quem eu queria conhecer, exatamente, e nem quais materiais eu desejava. Então despejei:
Oi, eu sou um pesquisador de graduação brasileiro que se interessa por Montessori para adolescentes, e eu gostaria de conhecer alguém, ou conversar com quem possa me ajudar em pesquisa. Também, se vocês tiverem materiais, eu adoraria comprá-los. Eu conversei uma vez com a Angela M-, mas não sei se ela fica aqui.
As moças ficaram mais confusas que eu, e chamaram alguém que pudesse me receber ou me mandar para fora: "Oi, tem um pesquisador do Brasil aqui que quer falar com alguém da AMS". Instantes depois chegou uma mulher muito elegante, de cabelos enrolados e um sorriso que me tranquilizou. Chamou-me para uma sala ao lado e me pediu para contar porque eu estava lá.

Eu havia caminhado um bom tanto, e estava cansado. Some isto à minha alegria de estar na AMS e à minha incerteza sobre o que estava fazendo lá e você terá uma dimensão de como foi confuso meu depoimento. Ela me interrompeu, por generosidade e ofereceu-me "antes de tudo", um copo d'água. Aceitei prontamente, e em seguida aceitei também o segundo copo. Aí contei tudo aquilo que vocês já sabem. Que fui aluno Montessori no Fundamental, que no Médio achava tudo meio bobo, e que agora eu havia decidido fazer algo para mudar um pouquinho as coisas. Por fim, expliquei que pesquiso a aplicação dos princípios Montessori em um Fundamental II montessoriano em São Paulo.

A pessoa que me recebeu chama-se Marcy Krever, e é a diretora de Marketing e Comunicação da AMS. Ela sugeriu que eu entrasse no acervo deles, de produtos, e pegasse o que me interessasse. Adicionou que poderia levar quantos exemplares quisesse da Montessori Life, gratuitamente, e me deu uma camiseta, um caderno e adesivos também. Eu comprei dois livros, um sobre Educação Cósmica (que vocês sabem que me interessa demais) e outro que é um manifesto pela liberdade da criança.

Além disso, Marcy me deu contatos preciosos no meio montessoriano. Gente que sabe demais sobre Montessori para adolescentes e sobre Montessori em geral. Deu e-mail, nome, e passou um e-mail para algumas pessoas falando sobre mim. Em suma: uma querida no mais alto grau. Deus queira que um dia eu consiga retribuir de alguma forma!

Um dos contatos que ela me deu foi do Center for Montessori Education (CME) que, adivinhei, ficava bem na cidadezinha onde eu estou com os alunos, New Rochelle. Despedi-me, chorei, sorri, tirei fotos, e chegando na residência estudantil, sentei-me e enviei um e-mail para o CME pedindo uma visita também. Sobre essa eu conto no próximo post!

Um abraço para todo mundo,
de Nova Iorque, com uma pilha de livros novos para nós,
Gabriel

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Introdução ao Método Montessori, Cap.I


Em 2012, o Lar Montessori irá publicar, sob o selo "Escola Maria", o livreto "Introdução ao Método Montessori". Até que o livreto seja inteiramente publicado, disponibilizaremos aqui os capítulos que estiverem em fase de preparação.

Para iniciar esta empreitada, abaixo está o link para o primeiro capítulo, "Quem foi Maria Montessori". Para ler, clique na página abaixo. Pedimos a todos os nossos leitores que analisem o capítulo e enviem críticas e sugestões!





sábado, 24 de dezembro de 2011

Para um ano de Paz

Queridos leitores,

durante o ano de 2011 nós, no Lar Montessori, tivemos algumas alegrias:

  • Chegamos a cerca de 3000 visitas (pouco para um blog comum, mas muito para o único sobre Montessori em casa no Brasil);
  • Pudemos auxiliar não só pais e mães, como esperávamos, mas também professores e estudantes de Educação no Brasil e na África;
  • Alguns pais e mães nos deram um retorno delicioso de se ter, dizendo de que maneira nós ajudamos, e isso vale muito!
      Por isso tudo, muito obrigado!

~

Hoje é véspera de Natal, e logo mais é o Ano Novo. Nós não poderíamos deixar de dizer algo a vocês. E aqui vai a nossa mensagem àqueles que nos acompanharam e aos que chegaram agora neste barco imenso que é a vida Montessori.

"Estabelecer a Paz", disse Maria "é trabalho dos educadores". Gosto de pensar como esta Maria (Montessori) e aquela Maria pensaram de maneiras semelhantes na hora de educar suas crianças, fazendo com que elas sempre pensassem, acima de tudo, na Paz. Gosto de pensar também em como elas mudaram um mundo pela educação destas crianças.


Se estabelecer a Paz é trabalho dos educadores, então é trabalho de pais e mães também, pois são estes os maiores e mais importantes educadores do mundo. A vocês, os nossos humildes parabéns e a nossa confiança. A vocês, o nosso apoio e a nossa segurança. A vocês os nossos votos de que sejam capazes de "mudar o mundo, uma criança de cada vez".

O Natal é uma festa cristã, mas o espírito de Paz é louvado em todas as religiões (e em todas as formas de ateísmo) do mundo. O que queremos comemorar com vocês é a mensagem viva de todas as religiões do mundo, de que está na hora de construir um mundo de Paz. Trabalhe por ela, se esforce por ela, dê à sua criança todas as oportunidades para que construa este mundo que nós, adultos, não veremos pronto, mas para o qual podemos forjar os primeiros tijolos.

Neste dia 24 de dezembro, especial como só ele sabe ser, desejamos aos povos de língua portuguesa, no mundo inteiro, que suas crianças cresçam conscientes de três coisas:
  • As qualidades do mundo;
  • Os problemas do mundo;
  • As maneiras de transformar os problemas em qualidades.

E desejamos que estas crianças recebam três presentes pelos anos que vêm:
  • Consciência;
  • Auto-estima;
  • Liberdade.
Esperamos que 2012 seja um ano maravilhoso para todos, mas especialmente, desejamos que 2012 seja o ano em que milhares de crianças poderão começar a construir dentro de si a Liberdade que permitirá a elas fazer tudo aquilo com que sonharem!

Um Feliz Natal e um belíssimo 2012!

Lar Montessori,
Por um ano de Paz.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Pequenas Ações Diárias

Após um longo período de repouso, o Lar Montessori volta à ativa. Pedimos desculpas aos nossos leitores, por esta longa ausência. Pedimos também que os leitores comentem as postagens, para que saibamos o que vocês acham. Estamos pensando em aumentar a equipe aqui, e um feedback é importante.

Quero lhes contar sobre a ONG Me to We. Eles são um grupo idealista que busca reeducar as pessoas para que elas, compreendendo melhor o valor da vida solidária, passem a agir melhor do ponto de vista coletivo. Este grupo fascinante publicou recentemente um livro com prefácio pela Sua Santidade o Dalai Lama, chamado "The World Needs Your Kid" (O Mundo Precisa do Seu Filho).

Neste livro, três autores muito lúcidos dão sugestões para se criar uma criança que contribua e se importe. E lendo este livro, eu me convenci: Algum dos autores leu Montessori muito cuidadosamente. Há influências Montessori demais na obra para que seja possível dissociar uma coisa da outra. Entrarei logo em contato com os autores para me informar melhor sobre isso.

Por agora, quero dar a vocês um gostinho deste livro que, além de muitíssimo informativo, é lindo. Escolhi uma coluna de uma página, intitulada "Pequenas ações diárias":

1. Dê um passo para trás, para que a criança possa dar um para frente:
Se você amarrar os sapatos dele para sempre, ele nunca vai tentar sozinho. Se você sempre intervier em conflitos, ele talvez não tente resolver as coisas por si mesmo.

2. Tenha paciência com a tentativa e erro:
Derrubar leite não é motivo de escândalos, especialmente tratando-se de um pequeno e ambicioso filho aprendendo a se servir. Ajude seu filho a lidar com as consequências: "Aqui está um pano para enxugar..."

3. Apresente opções:
Permita à sua criança escolher - sempre que possível - e aceite estas escolhas. Fazer isso demonstra sua confiança em suas habilidades. 
Este princípio vale inclusive para muito pequenos. A criança, ainda sem falar, já é capaz de escolher uma cor, um caminho, um material de trabalho ou um brinquedo. Ela também é capaz de escolher se quer ficar acordada ou se quer dormir. Sempre que possível, permita esta escolha.

4. Cozinha baixa:
Mova os pratos para uma estante mais baixa, para que as crianças possam ajudar a pôr a mesa. Não importa qual a tarefa, dá-las às crianças ensina responsabilidade e mostra a elas como são indispensáveis para o funcionamento da família.
Novamente, a criança muito pequena pode se beneficiar disto, mesmo que não consiga pôr a mesa, de maneiras que explicamos em posts anteriores. E não se preocupe: um prato ou um copo vão quebrar de vez em quando - faz parte da vida. Ensine a criança a segurar tudo direitinho e a limpar os cacos.

5. Trabalhe com o dinheiro:
Se você dá uma mesada ao seu filho, encoraje-o a dividí-la em três partes: guardar um pouco, gastar um pouco, compartilhar um pouco.

Lembre-se de que esperamos ansiosamente pelos seus comentários! Se você achar que deve, espalha este blog, repasse estas ideias, cole num e-mail para um amigo... Lembre-se de dar os créditos do livro de onde isto foi tirado, e ressalte que nossas traduções são independentes e sem nenhum fim lucrativo. Optamos, inclusive, por recusar propagandas neste blog.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Homenagem de Aniversário 2

Júlia Simões foi uma aluna montessoriana por muitos anos e escreveu para o Lar Montessori um texto muito doce no aniversário de Maria Montessori. Reproduzo-o na íntegra.

"Gostaria de deixar minha marquinha pra essa pessoa tão especial que foi a Maria Montessori. De uma forma tão incrível, essa batalhadora conseguiu atingir minha vida por completo e ganhar minha admiração sem nenhum contato pessoal. Só por conta do seu método, já criei novos olhares, mesmo que tardios mas duradouros, sobre inúmeros assuntos. Enfim, agradeço não só neste dia, mas também diariamente com gestos, ações e palavras carregadas do espírito Montessoriano que faz parte de mim há muito tempo!"

Júlia, você tem dezesseis anos (é isso?) e pode ter certeza de que seus olhares são mais precoces que tardios! O mundo precisa de mais gente como você!

Beijos e obrigado,
Gabriel

Homenagem de Aniversário

Tim Selding, em seu sempre útil "How to Raise an Amazing Child the Montessori Way" diz que, para ele, Montessori é um estilo de vida, um jeito de viver, muito mais que um método educacional.

Tim Seldin está certo. O defendo com a humildade de um iniciante que apoia um mestre, mas com a autoridade do iniciante que sabe o que está dizendo. Eu vivo Montessori há 18 anos. Aqui, quero contar o que é Montessori na minha vida, como tudo começou e porque esta visão de mundo continua presente em mim até hoje. Esta é minha homenagem para Maria Montessori no dia de seu aniversário, contar a importância que ela tem na vida de um jovem que vive 100 anos depois dela.

Quando eu tinha 2,5 anos, minha mãe e eu procurávamos uma escola para me matricular. Visitamos várias, conhecemos salas bonitas e feias, professoras simpáticas e tias doces, escolas grandes e pequenas, jardins de infância agradáveis e não tão agradáveis assim. E visitamos a Prima - Escola Montessori de São Paulo. Ficava perto de casa e era bem falada na região. Uma tia minha é pedagoga e disse que o método era interessante para crianças, mas que ela não conhecia muito bem. Disse que valia a pena olhar.

Em todas as escolas, antes da Prima, a diretora ou a coordenadora conversou solicitamente com a minha mãe, enquanto eu, sentado no colo dela, pedia para ir embora. Nesta casa das crianças que é a Prima, chegamos e a diretora falou primeiro comigo. Estendeu um tapete no chão, me deu ma Cesta dos Tesouros (veja o post logo antes deste) e mostrou-me alguns objetos. Eu, como é de se esperar, concentrei-me nos objetos e lá fiquei por toda a reunião, sentado, silencioso, trabalhando, enquanto minha mãe e a diretora conversavam. Minha mãe, durante a conversa, disse à diretora: "Esta é a primeira escola que pensa no meu filho. Vou deixá-lo aqui". E eu fiquei lá da segunda-feira seguinte até os meus quatorze anos. Depois eu saí, porque não havia colegial, e agora voltei, como professor assistente, com muito gosto.

Estou hoje com quase vinte anos e vivi Montessori pelos primeiros 14 e nos últimos seis. Como, nos últimos seis, se não estava dentro da escola?

Montessori não depende só da escola, e não se trata só de escola. Trata-se de pensar pela Paz, acima de tudo. Trata-se de desejar a paz do mundo e a do homem, de desejar a paz para a humanidade, mas também de promover a paz entre si e os vizinhos, entre si e os amigos. Trata-se de perceber que onde há comportamentos humanos reprováveis não pode haver paz. E se trata de fazer o possível para reestabelecer a paz onde ela não se mostra presente, dentro e fora de nós.

Montessori trata da Liberdade. Segundo Maria Montessori, da liberdade que nasce dentro de nós, que é construída dentro de nós. É a liberdade de pensamento e de ação, a de seguir pelos caminhos que julgamos melhores e a de discordar do que quisermos, a de criar o que quisermos, a de perseguir o que quisermos, e a de (esta é importante) querer o que quisermos. Na maior parte das vezes, somos escravos de nossas vontades - a liberdade defendida e construída por Montessori (a muher e o método) é a que liberta das vontades e que permite ao homem escolher o que ele quer escolher, e não escolher o que o desejo dele deseja.

É difícil entender Montessori, a menos que você sinta a escola, permaneça nela por algum tempo e converse com as crianças pequenas educadas lá. Quando você entender as crianças, a alegria, a liberdade e a disciplina adorável que elas cultivam em si mesmas, no ritmo delas e no espaço delas, então será possível compreender Montessori e o respeito pelo ser humano presente em qualquer educando montessoriano.

Fica o convite para quem quiser conhecer mais desta possibilidade bela de educação. Estou sempre e a todo momento disponível para isso, com teses de doutorado, textos filosóficos, poemas e imagens. Espero que você venha a conhecer mais!

Um abraço grande, de um atual educador Montessori,
Gabriel

terça-feira, 19 de julho de 2011

Pequenas Coisas

Quem tenta ajudar uma borboleta
a sair do casulo a mata.
Quem tenta ajudar um broto
a sair da semente o destrói.
Há certas coisas que
não podem ser ajudadas.
Têm que acontecer de dentro para fora.
(Rubem Alves)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Resultados de Montessori

É alegremente divulgado por todas as escolas Montessori que ambos os fundadores da gigantesca Google (Larry Page e Sergey Brin) foram educados em escolas Montessori, mas você sabia que eles mesmos creditam a estas escolas o seu sucesso? Assista ao vídeo abaixo e os veja contando esta história! A tradução virá logo mais.



Outras famosas personalidades da informática que estudaram em Montessori são os fundadores da Wikipedia (Jimmy Wales) e da Amazon (Jeff Bezos).

Estamos aguardando informações, mas recebemos indicações de que também o fundador do Facebook passou por uma escola Montessori quando pequeno.

Depoimentos de personalidades logo mais estarão disponíveis na página "Depoimentos".

terça-feira, 1 de março de 2011

Para quem é o Método Montessori?

Maria Montessori, como é de conhecimento geral, foi médica antes de ser pedagoga, e trabalhou com crianças especiais antes de trabalhar com crianças normais. Desenvolveu parte de seu método durante a pesquisa com as primeiras crianças e parte (uma parte maior) durante as pesquisas com as segundas.


Decorre de um conhecimento apenas parcial de sua obra a crença de que o método Montessori serve para e beneficia apenas crianças com algum tipo de deficiência. Neste mesmo post, numa edição futura, abordaremos esta questão. Mas gostaríamos de deixar uma mensagem inicial:


Montessori não serve apenas para possibilitar à criança especial uma compreensão normal da realidade, mas também para possibilitar à criança normal uma compreensão especial, e aprofundada, da mesma realidade.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Maria Montessori

Quero uma escola
Para o rosto infantil e torturado,
Para a esperança verdadeira e reprimida,
Para o esforço real e ignorado.

Quero uma escola
Para a vida possível e desejada,
Para o aprendizado livre e verdadeiro,
Para o ensino igual.

Quero uma escola
De busca e de alegria,
De perguntas e confiança,
De encontro e desafio.

Quero uma escola
De adultos e crianças,
De verdades e belezas,
Para a Paz e para a Vida.