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terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Cesta dos Tesouros

Este texto foi traduzido do livro "How to Raise an Amazing Child the Montessori Way", de Tim Seldin.
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Tudo por perto de seu bebê é um mundo mágico de objetos esperando por descobertas


Assim que seu bebê for capaz de sentar e pegar coisas, ele vai adorar explorar uma "cesta dos tesouros". É uma cesta baixa que você terá enchido com objetos do lar e coisas da natureza. Os objetos precisam ser grandes o suficiente para que a criança não os engula e não devem ter pontas ou partes afiadas que possam machucar a criança quando tocadas ou quando colocadas na boca. Crianças mais velhas gostam da cesta também, permaneça adicionando novos objetos.

Uma cesta dos tesouros deve provocar maravilhamento, surpresa, descobertas. Junte entre 50 e 100 objetos, cada um com suas características de cor, textura, peso e cheiro - use sua imaginação e seu bom senso. A escolha dos objetos é constante, e pode se tornar um passatempo agradável para os pais examinar objetos e pensar se seriam tesouros interessantes para a cesta. Você pode incluir coisas como uma carteira, uma casca de noz [uma concha sem partes afiadas é sempre um objeto interessante], uma pinha, um pincel, uma pena, um sino de metal, uma pedra macia. Bebês e crianças usam todos os seus sentidos, enquanto adultos tendem a depender da visão. Objetos que possuam um padrão visual ou uma textura diferenciada na superfície, um aroma especial, que sejam gelados ao toque (como uma pedra), ou que produzam sons quando movimentados são especialmente interessantes. Para uma criança pequena, tudo é uma descoberta nova e excitante.
Crianças muito pequenas já se
interessam pela Cesta dos Tesouros
A cesta dos tesouros pode entreter seu filho por períodos longos, sendo que meia hora é um tempo razoavelmente comum. Com crianças pequenas, tenha em mente que se trata de um grande estímulo, sendo melhor oferecê-lo para uma mente descansada e alerta. Quando crianças pequenas estão explorando a cesta pela primeira vez, o melhor a fazer é não dizer nada. Somente selecione um objeto, examine-o cuidadosamente, e coloque-o de volta na cesta. Seu filho pode pegar o mesmo objeto assim que você o devolver à cesta ou pode escolher algo completamente diferente. Deixe-o explorar sozinho - as crianças gostam que estejamos por perto, mas nem sempre desejam nossa interferência.


--trecho adaptado--

Colocar os objetos na boca é uma fonte de prazer e aprendizado para sua criança. Desde que os objetos estejam limpos e sejam seguros, não é necessário limitar esta experiência. Procure escolher objetos que atendam a estes requisitos.

O olhar da criança já se desenvolveu nesta idade, e já é possível para ela observar objetos de cores sutis e leves. Quaisquer objetos chamarão a atenção de seus olhos, e coisas simples, de casa, podem despertar grande interesse.

Vidros de sementes ou feijōes, pequenos sinos, correntes... Todos estes objetos (e muitos outros) proporcionam sensações interessantes para o ouvido da criança, e serão também fontes de descobertas.

Crianças maiores mantém o interesse pelos objetos.
Procure selecionar objetos interessantes para o tato. Diferentes texturas e temperaturas são importantes, e é mais interessante escolher objetos de madeira, metal ou vidro (desde que forte, para sua criança não correr riscos) do que de plástico, já que o plástico apresenta sempre a mesma textura. Objetos naturais, como pinhas e sementes grandes podem ser interessantes também.

Objetos com cheiros suaves podem ser bem interessantes também. Sachês, saquinhos de ervas, sementes cheirosas e limões são boas escolhas (quanto ao limão, cuidado para não expor a pele da crinça ao sol depois de ter manejado a fruta).

Depois te ter explorado os objetos da cesta, ainda existe uma cesta para ser descoberta. Procure escolher um recipiente belo, agradável ao tato, para que a criança tenha também esta possibilidade de exploração.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Tudo em Equilíbrio

Do livro "How to raise an Amazing Child the Montessori Way", de Tim Seldin

Desde o começo, seu bebê pegará coisas, explorando seu peso, textura e temperatura. Ela vai usar mãos, olhos, ouvidos, boca e nariz para investigar qualquer coisa que esteja por perto. Quando faz um ano de idade, a criança se torna mais e mais curiosa e poderá se concentrar em um objeto assistindo-o e o examinando com uma paciência aparentemente infinita.

É importante evitar o excesso ou a falta de estímulo. Muito estímulo fará a criança ficar estressada e ela tenderá a dormir. A falta de estímulo também leva ao sono. Idealmente, devemos estabelecer um balanço.

Aos leitores deste blog, podemos indicar os posts sobre a adequação da Casa para se conseguir um nível adequado de estímulo, e o post sobre o Sono para compreender melhor seus motivos e o equilíbrio que deve haver entre o tempo de vigília e o tempo de descanso.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Visão do Bebê

Como os bebês veem o mundo

Baseado no livro "How to raise an Amazing Child the Montessori Way", de Tim Seldin

A educação dos sentidos começa no nascimento, no 1o abraço ou colo, na primeira vez que ela vê ou sente o tato com a pele ou seu cheiro. Quando ela sente os tecidos contra a sua pele e quando põe os primeiros alimentos sólidos na boca. As crianças são observadoras extremamente ativas nos primeiros anos de vida e tudo o que observam as afeta.

- A visão
É importantíssimo estimular a visão da criança, mas também é muito importante entender como a visão se desenvolve. Nos primeiros meses há uma tendência para focar a visão em objetos que estejam a até 30cm de distância, os olhos passeiam objetivo e podem até cruzar-se de vez em quando. Usualmente os olhos respondem muito bem a rostos humanos, especialmente aos dos pais ou de alguém que cuide deles. Nos primeiros tempos, as crianças ainda não conseguem captar diferenças sutis entre tons e cores, e compreendem melhor contrastes fortes, especialmente branco-preto.

Aos três meses, a criança começa a focar e a reconhecer coisas que estão mais longe, ainda mantém grande interesse por rostos humanos, mas interessam-se também por outros objetos, especialmente por tudo o que se move. Nesta idade já tentam alcançar o que vêem e aos sete meses já desenvolveram realmente bem a visão em cores e a distância.

Há muito que se pode fazer para ajudar a desenvolver a percepção visual da criança. Ao falar com a criança, mantenha o contato visual e perceba como ela responde. Olhem coisas juntos, e fale sobre o que vocês virem. Móbiles, enquanto se movem, mostram aspectos belos e variados de objetos que se movem. Pode ser interessante ter dois ou três móbiles pela casa (especialmente sobre o berço e sobre o trocador), e girá-los com frequência para produzir imagens interessantes e agradáveis para a criança.

Os móbiles não precisam ser complexos e podem ser feitos em casa. Esferas de pano coloridas, formas geométricas de cartolina, especialmente em preto em branco, nos primeiros meses, são muito interessantes para a criança.

domingo, 22 de maio de 2011

A Mente Absorvente

(de The Joyful Child), "Shared with permission of The Joyful Child Montessori Company: www.thejoyfulchild.us"

A criança nestes primeiros anos realmente absorve a vida à sua volta. Um adulto nunca será exageradamente gentil, respeitoso ou sábio, e nunca prestará atenção excessiva aos sons que uma criança vai ouvir ou ao ambiente que ela vai observar.

Quando a criança não está com seus pais, deve-se dedicar muita atenção ao se estabelecer os mais altos níveis de expectativa a outros adultos com quem a criança permanecerá.

O ambiente que criamos para a criança pequena é aquele que ela tenderá a criar para seus filhos, seus netos, e assim por diante...

O Olhar e a Compreensão (e a importância do sono)

(de The Joyful Child), "Shared with permission of The Joyful Child Montessori Company: www.thejoyfulchild.us"

O que seu filho vê em casa? No primeiro ano é bom ter cores claras e não muitos objetos expostos. Quando uma criança é hiperestimulada visualmente, ela usualmente fecha os olhos e se isola do mundo. É melhor inspirar e convidar a criança a explorar visualmente o ambiente utilizando cores claras e limitando os objetos do que oprimindo-a.

Quando a criança viu, ouviu e sentiu tudo o que queria durante um determinado período de tempo, ela sabe, por sabedoria inata, que é hora de dormir para processar tudo. Imagine como é vir de um local morno, macio, quase escuro e quieto (o útero) e sair para um local novo, cheio de luz, sensações, sons, tudo estranho a não ser as vozes da família. É muito importante respeitar a sabedoria infantil sobre quanto é bom absorver, e sobre quando ir dormir para processar e descansar, e quando acordar para receber mais informação.

No nascimento, o bebê já sabe como regular seu sono para uma excelente saúde física e mental e para integrar novas experiências. Se nós respeitarmos este conhecimento intuitivo depois do nascimento, nós já estaremos bem avançados quanto a prevenção de problemas de sono que exaurem pais e filhos recentes. Se nós tivermos em mente que o sono é vital por muitos motivos e não deve ser interrompido, nós tentaremos, como as culturas ancestrais disseram várias vezes, não acordar um bebê que dorme senão em uma emergência.

Precisamos ser cuidadosos para não fazer a criança precisar de nós para dormir. Quando o bebê é sempre carregado até que ele durma, problemas com sono podem surgir. Para evitar criar dependência do adulto para atividades tão naturais quanto ir dormir é importante respeitar, do primeiro dia em diante, a habilidade da criança de dormir por si mesma.

A criança é curiosa e precisa explorar sensorialmente o mundo desde os primeiros dias e quer ficar com a família, e não aninhada em um quarto quieto o dia inteiro. Para ajudar a tornar isso possível, os pais podem usar uma esteira especial para bebês, um saco de dormir, um pequeno futon, que possa ser levado para o local da casa onde a família for ficar - a cozinha, o quarto, a sala...

Desta maneira, a criança pode ficar com a família, observar a vida, e cochilar quando necessário. Assim o pequeno pode se manter em contato com seu ritmo natural de sono e vigília. Ele pode ouvir conversas, risadas, música ou o tranquilo silêncio. Nestas esteiras a criança pode também melhorar habilidades em desenvolvimento, como exercícios e alongamento dos músculos, fazendo flexões, alcançando coisas, e levantando-se. E ainda assim seguir seu ritmo natural de sono e vigília.

Muitíssimo trabalho mental existe durante o sono e os sonhos. Todas as experiências do dia precisam ser combinadas e todo o 'programa pessoal' precisa ser revisto levando-se em consideração todas as informações recebidas durante o dia.

Nós não devemos olhar para o recém-nascido como um pequeno e desamparado ser humano. Mas como pessoas que são pequenas em tamanho, mas com uma imensa capacidade mental, e com muitas habilidades físicas que não podem ser testemunhadas a menos que o ambiente auxilie a manifestação da vida.

-Drª. Silvana Montanaro, MD



Choro é comunicação

(de The Joyful Child), "Shared with permission of The Joyful Child Montessori Company: www.thejoyfulchild.us"

Diferentes culturas variam muito em suas respostas ao choro das crianças - desde uma crença de que chorar fortifica os pulmões até a absoluta recusa ao fato de que alguém deixaria uma criança chorar ainda que por um só instante. Nós recomendamos empregar tempo e esforço para aprender o que seu pequeno ou sua pequena querem dizer com um choro. Não existe receita, e cada criança é diferente.

Em uma visita ao berçário do hospital da Universidade de Roma, durante meu treino para Assistente da Infância, eu vi uma professora responder ao choro de uma criança da seguinte maneira: primeiro ela falou gentil e suavemente ao bebê, mostrando a ele que alguém estava presente. Em muitos casos isso é todo o necessário para confortar a criança e para o choro acabar. No entanto, se isto não funcionar, a professora fazia contato visual com a criança ou encostava uma mão gentilmente sobre ela. Geralmente isto acalmava a criança completamente. Se não desse certo, ela checava para ver se havia algum desconforto físico, alguma dobra desconfortável nas roupas de cama, uma fralda molhada, a necessidade de ficar em uma posição diferente. Resolver este problema quase sempre tranquilizava a criança e eliminava a vontade de chorar. Só muito raramente a criança precisava mesmo de comida.

Acho isto extremamente interessante, vindo de um país com um considerável problema de obesidade. Talvez se nos esforçássemos mais para "confortar" nossos pequenos de outras maneiras, que não dando comida ou chupetas - que ensina a eles que a felicidade está em colocar algo na boca - nós poderíamos educar filhos que conhecem melhor suas necessidades.
É comum que uma mãe atenciosa pense que choro é sempre fome ou dor. Mas o bebê pode estar preocupado, tendo memórias ruins, estar molhada, com frio, com calor, com medo, sozinha ou entediada. Há muitas razões para se pedir ajuda.

Uma mãe ou um pai atentos que empreguem muito tempo observando ou ouvindo podem aprender, ainda nos primeiros dias, o que cada choro em particular quer dizer. Todos querem ser compreendidos.


O próximo post, Dica 6, tratará ainda do primeiro ano, "O Olhar e a Compreensão",
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Do pré-natal ao primeiro ano

Do pré-natal ao primeiro ano
(de The Joyful Child) "Shared with permission of The Joyful Child Montessori Company: www.thejoyfulchild.us".


Nós sabemos muito pouco sobre o que um bebê realmente vive durante os nove meses no útero. O que ele percebe, sente, pensa, entende. Mas nós sabemos que ele responde a vozes, a sons e a música. Então todos os dias devemos dar a ele o melhor que pudermos durante algum tempo, falando com ele baixinho, cantando e tocando belas músicas.

Estudiosos de aquisição de linguagem nos dizem que a base para o aprendizado da língua materna começa no útero. Estudos sobre as vidas de grandes músicos geralmente nos dizem que eles foram expostos a excelente música ainda durante a gestação.

Pais que cantam para os pequenos bem antes de seu nascimento percebem que depois do nascimento aquelas mesmas músicas tranquilizam muito os bebês.

A pele, o primeiro e mais importante órgão dos sentidos, está completa depois de sete ou oito semanas de gestação. O olfato está pronto para funcionar no segundo mês de gestação. O paladar está ativo no terceiro mês. A orelha completa seu desenvolvimento estrutural do segundo ao quinto mês de gravidez. É possível que o feto absorva as características particulares do ritmo da língua materna. De certa maneira, o feto já está trabalhando, aprendendo a língua! 
- Silvana Montanaro, Psiquiatra MD, treinadora de professores Montessori 


Música e Linguagem
 - No primeiro ano de vida a criança tem um interesse especial pela fala humana e em assistir a face e os lábios das pessoas que estão falando. Não um acidente que a distância entre os olhos do recém-nascido e o rosto da mãe quando o amamenta seja exatamente a distância focal do bebê. 
Nós podemos alimentar este interesse pela linguagem falando claramente, sem usar a "fala-de-bebês",sem elevar o tom da voz (como fazemos com animais de estimação), e sem simplificar demais a linguagem na presença da criança.
Podemos contar histórias interessantes ou engraçadas de nossas vidas, recitar poemas favoritos, falar sobre o que estamos fazendo "Agora estou lavando seus pés, esfregando seus dedos para que fiquem bem limpinhos" e podemos nos divertir com esta importante comunicação. Podemos ouvir música, ao silêncio e um ao outro.

É possível conversar mesmo com crianças muito pequenas, desta maneira: quando a criança fizer algum som, imite-o - o tom e a duração do som da criança. Usualmente se percebe uma resposta incrível por parte da criança da primeira vez que isso acontece, como se ela dissesse "Finalmente alguém entende e fala minha língua".
Depois de algumas destas trocas, muitas crianças vão começar a fazer sons para você imitar propositadamente, e finalmente vão tentar imitar os sons do adulto. É uma primeira comunicação muito interessante para as duas partes. Não é "fala-de-bebê", podemos chamá-la de "canto".

Para o primeiro ano, atividades como se trocar, ninar, tomar banho, ser segurado e vestido são os momentos mais importates e mais impressionantes. Peça permissão ou fale para o pequeno que você vai pegá-lo quando você estiver quando o fazendo. Se houver escolha, pergunte a ele se eles está pronto para ser pego, vestido, banhado, antes mesmo de pegá-lo. Crianças sabem quando perguntas sérias são feitas a elas e quando elas têm escolhas. Enquanto você o troca ou dá um banho nele, em vez de distraí-lo com brinquedos, olhe em seus olhos e diga a ele o que você está fazendo, faça perguntas e dê escolhas.

O valor desta comunicação cheia de amor e de respeito nunca será enfatizado demais. Ela faz o bebê falar com você, e este desejo de comunicação é a base para o desenvolvimento da língua. O bom desenvolvimento da língua também depende da linguagem que a criança escuta à sua volta nos primeiros dias, meses e anos. Ouvir conversas entre os pais e outros adultos é tão valioso quanto ser parte da conversa.
Um pai ou irmão que fale ou cante para a criança está ensinando linguagem a ele também. É impressionante quanto de língua se aprende nos primeiros três anos de vida, brotando uma compreensão da linguagem completa de uma maneira que o adulto nunca poderá imitar.

Nunca é cedo demais para olhar livros juntos e falar sobre eles. Belos livros de papelão podem ficar de pé, apoiados pelas capaz e pelas páginas, para um bebê que ainda não pode se sentar para se divertir olhando-os. Eles introduzem uma ampla quantidade de temas interessantes para a criança quando eles desejam ver, ouvir (e falar) sobre tudo.

Esta dica continua no próximo post, Dica 5.
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