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domingo, 18 de março de 2012

Passeios à Natureza - Amando e Conhecendo o Universo

Você leva suas crianças a parques? Se sim, parabéns! Se não, tire um tempinho para fazer isso com alguma frequência. O contato com a natureza é fundamental para o desenvolvimento do seu filho. Parques, praças e bosques, assim como praias, oferecem ambientes com muitos estímulos sensoriais para os pequenos, mas de forma suave, sem poluição visual ou sonora.


O contato com a natureza oferece uma quantidade muito grande de possibilidades e assim desperta a curiosidade a um ponto que a casa dificilmente conseguiria. Um dia no parque pode plantar sementes de curiosidade e questões para uma semana inteira, dependendo da idade da criança (isso é especialmente verdadeiro para a faixa etária de três a seis anos). Esteja preparado para responder a estas questões e voltar à natureza em seguida.


Quando a criança é muito pequena, é bom ir ao parque de manhã, quando o sol é fraco e ela está bem desperta, assim pode-se sentar na grama, e ela pode brincar um pouquinho com o entorno, mesmo que não possa se aventurar muito longe. Ficar perto de uma árvore é uma boa ideia, já que só um pequeno espaço incluindo a árvore oferece sombra, raizes, tronco (e sua casca), folhas, terra, grama e quem sabe frutos ou flores. Insetos estarão por perto também, não tema todos eles. Pequenos besouros, joaninhas, grilos ou gafanhotos, borboletas e bicos-pau não são arriscados e maravilham qualquer pequeno explorador.


É claro que é bom evitar abelhas (se as cores que vocês vestirem forem suaves e não houver açúcar nas comidas e bebidas, elas não vão aparecer) e se você não conhecer quais aranhas picam e quais não, espante todas. Mas pare por aí, outros bichinhos são mais uma fonte de conhecimento do mundo do que uma ameaça.


Montessori dizia que não é suficiente amar a criança. É necessário antes conhecer e amar o universo. Ame o universo. Procure se maravilhar com a natureza, assim como seu filho, adote de novo o olhar do explorador, que acha incrível uma folha avermelhada e se surpreende com um pássaro colorido. Mostre essas coisas a ele, não como um professor, mas como alguém que também acha tudo aquilo belo e surpreendente.


Permita que a criança passeie, que pare onde mais lhe interessar, que pegue coisas, que se suje um pouco (ou muito, a depender da sua tolerância), que fique muito tempo parada olhando algo que você sequer percebeu que existia ou que simplesmente não olhe para algo que fascinou muito a você. A maneira de pensar e de ver deles são muito diferentes da sua.



Mostre ao seu filho, nas próximas idas ao parque, como a natureza funciona. De forma descontraida e informal, mostre os ninhos dos passarinhos e explique que são as casas deles, mostre girinos e explique que são os filhotes do sapo, mostre as abelhas e as borboletas nas flores e explique que estão se alimentando e fazendo mel. Com o tempo, explicar a polinização pode ser muito interessante. Sim, você vai ter que estudar muita coisa de novo, mas não vale a pena? Para maravilhar sua criança com a natureza?


Algumas crianças, especialmente as mais velhas, podem recusar-se a ir ao parque ou ao bosque, dizendo que preferem ir ao shopping, ao parque-de-diversões ou à casa de um amiguinho. Embora nenhum desses passeios seja reprovável em si (não recomendamos o shopping para crianças, é excesso de estímulo), é importante que os pequenos saibam admirar o silêncio, perceber um canto de passarinho e o zumbido de uma mosca ou uma abelha. Só por meio do contato com a natureza é possível amá-la, e só por meio do amor a ela é possível respeitá-la - assim, se você quiser que seu filho saiba preservar o ambiente em que vive, mais um motivo para dar a ele oportunidades de curtir esse mesmo ambiente.


As maravilhas e as surpresas da praia são outras, e tão belas quanto as do parque. Quando der, leve seu filho, mesmo muito pequeno, ao mar. Brinquem nas primeiras ondas, molhem-se, façam castelinhos de areia e peguem caranguejinhos e conchas. Tudo isso ensina. Com tudo isso se aprende.


A textura da areia e as cores dela, o fato de nem sempre o castelo ficar de pé, a dificuldade de pegar um animalzinho que se mexe e o material de que é feito uma concha (assim como o brilho da parte de dentro dela) são aprendizados para a criança pequena. Pode ser que surja uma coleção de conchas, neste caso, tente descobrir os nomes delas e ensine-os ao seu filho. Crianças adoram categorizar coisas e estão em uma excelente idade para adquirir vocabulário, inclusive o científico, que não tem nada de difícil, e assim parece para nós por puro preconceito. Levar a criança um pouquinho mais velha (trës ou quatro anos pelo menos) até aquários pode ser fantástico também. 




O terceiro fascínio natural a que podemos e devemos expor a criança é o céu. Se houver a possibilidade de uma viagem curta até um local com pouca luminosidade (casas de familiares no interior, ou uma praia menos popular, por exemplo), mostre as estrelas, a Via-Láctea, identifique constelações e dê os nomes e as histórias delas aos pequenos. Amem e conheçam o universo.


Viver no Brasil tem muitas vantagens neste ponto. Nosso país é privilegiado naturalmente e oferece-nos uma abundância inimaginável de biodiversidade. Além disso, nós temos um escritor infantil que mostrou de forma belíssima as belezas e a perfeição da natureza em seus livros. Monteiro Lobato, especialmente em "A Chave do Tamanho", "Reforma da Natureza" e "Viagem ao Céu" mostrou como o mundo natural e o universo podem ser formidáveis. É uma boa ideia ler os livros com seus filhos de quatro a dez anos.


Quando forem ao parque, tirem fotos! Vai valer a pena mais tarde. E se você quiser, mande para a gente, e publicamos aqui. Envie para gabrielmsalomao@gmail.com contanto como foi o passeio e o que vocês viram de interessante.


Bom passeio!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Aprendendo a usar o banheiro


Este artigo é uma tradução com pequenas adaptações do capítulo "Introducing the Toilet", do livro "How to Raise an Amazing Child the Montessori Way", do Tim Seldin, presidente da Montessori Fundation. Nós incentivamos a compra da obra, tanto para você, quando como apoio ao fantástico trabalho do autor e dos designers do livro.

A utilização do vaso sanitário ou do penico depende do tempo da criança e não de sua idade e nem mesmo da vontade do adulto. A maturação do sistema nervoso e a vontade de ser independente é que vão dizer quando é a hora de sair das fraldas e usar o vaso. No entanto, havendo observação cuidadosa, um ambiente preparado sempre ajuda. Tenha um penico ou um vaso sanitário que a criança possa alcançar, assim como roupas de baixo de algodão na altura da criança e uma pia baixa ou um banquinho no banheiro.

Mais ou menos com um ano, ou durante o segundo ano de vida, a criança começa a se interessar pelo penico, ou pelo vaso. Eles se interessam pelo "fazer cocô" e pelo "fazer xixi", assim como pela água do vaso. Às vezes, querem brincar com ela. Quanto à água, procure oferecer bacias mais apropriadas, baldes, ou utilizar a pia ou uma banheira com água. O interesse da criança pelo cocô e pelo xixi nada tem de não-pudico e se trata de uma válida curiosidade sobre aquilo que seu corpo é capaz de expelir. Explique a ela o que é a urina e o que são as fezes, dizendo que são a água e a comida que nosso corpo não utilizou.

Em vários momentos no blog, dissemos como é importante permitir à criança que vista-se e se dispa. Aqui, esta liberdade se faz importante. A criança nesta idade se interessa mais e mais por essas atividades e pode tentar vestir roupas de baixo de seus irmãos ou pais - este pode ser um sinal de que ela talvez queira se tornar independente das fraldas, e portanto esteja curiosa sobre o uso do penico.

Mais ou menos com um ano e meio a criança já consegue controlar sua bexiga e seu intestino, em certa medida, e tem interesse em fazê-lo, além da habilidade física para tanto. Dar ao seu filho a chance de utilizar mais cuecas ou calcinhas e menos fraldas realmente ajuda a despertar a consciência corporal para estas funções orgânicas.

É claro que de vez em quando vai acontecer um pequeno acidente. Isso vai acontecer no começo, em todas as habilidades que a criança for adquirindo. Mas é realmente no começo, e faz parte de todo o processo de conquista de autonomia. As fraldas não auxiliam na sensibilidade, e o seu filho perceberá muito mais que fez xixi ou cocô na hora errada se utilizar roupas de baixo de algodão.

No caso de acidentes, fique calmo e tranquilo. Deixe à disposição de seu filho roupas de baixo limpas, providencie um cesto baixo de roupas sujas e deixe panos de chão ou velhas toalhas para que ele possa limpar o resultado dos acidentes. Ajude se seu filho pedir ou se você vir que ele está realmente triste ou estressado, mas não se apresse a ponto de fazê-lo se sentir envergonhado.

Muitas crianças vão querer se sentar no vaso ou num penico somente para imitar os mais velhos, apesar de não terem aprendido a controlar a bexiga ou os intestinos. Auxilie sua criança com este interesse, mostre devagar a ela como se baixa as calças e a roupa de baixo, como se senta corretamente no vaso, e ensine-a que deve lavar as mãos sempre.

Usar o vaso é um processo natural, que começará quando seu filho desejar se tornar um "mocinho" independente e quando as funções neurológicas necessárias estiverem estabelecidas. Nós não ensinamos as crianças a usar o banheiro, nós as apoiamos quando elas estão prontas.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Desenvolvendo Habilidades na Cozinha

Traduzido e adaptado do excelente Www.MichaelOlaf.net e do livro "How to Raise an Amazing Child in the Monessori Way", de Tim Seldin.
...mas eu sei que a felicidade não vem das coisas. Vem do
trabalho e do orgulho do que se faz. (Gandhi, in michaelolaf.net)

Arrumar a cozinha e a mesa para o trabalho da criança não precisa ser uma empreitada difícil, e não é necessário fazer tudo de uma vez. No começo, destine à criança uma prateleira ou um armário na cozinha. Este local pode abrigar uma tábua e uma faca segura (sem ponta e não muito afiada), ou cumbucas de cereais e colheres - o que quer que seja usado com mais frequência pela criança.

Um banquinho é um bom primeiro investimento. Assim, a criança pode alcançar a pia ou o balcão para trabalhar. Melhor do que isso, se houver espaço, é dar à criança uma mesa baixa e uma cadeirinha, para que ela possa preparar pequenos lanches para si mesma e até ajudar com a preparação da comida.

A criança deve ter liberdade para se alimentar quando sentir fome e os pais devem ensinar como se faz, sempre dividindo a tarefa em pequenas partes, e utilizando sempre os mesmos instrumentos, no mesmo local e na mesma ordem. É importante ensinar também a limpar tudo e a retornar os objetos ao seu lugar de origem. Segundo E.M. Standing, uma das características de uma criança em equilíbrio é seu amor pela ordem.

Preparar comidas e serví-las é também um exercício de altruísmo, pois é feito para o bem dos outros. Assim o são também a limpeza e a arrumação posteriores.


1. Aprender a despejar

Ensinar a despejar líquidos ficará muito mais fácil se você começar com jarras pequenas e leves, que a criança possa levantar sozinha. Num primeiro momento, também é mais fácil despejar de uma jarra para outra, em vez de usar copos, e é bom começar com algo sólido, como arroz cru ou lentilhas. Para este primeiro exercício, as melhores jarras são as muito pequenas. É uma boa ideia colocar uma bandeja colorida sob as jarras, para que qualquer grão despejado fora da jarra possa ser visto com facilidade e limpo quando sua criança terminar de praticar.

Mostre à sua criança como segurar a jarra usando a mão com a qual ela se sentir mais confortável. Demostre como segurar a outra jarra com a mão livre, pois isto dará a ela controle máximo sobre a atividade. O exercício é passar os grãos de um recipiente para o outro. Enfatize a importância de ser cuidadoso: "Querido(a), tente desepejar o arroz de uma jarra na outra sem deixar cair nenhum grão fora do vidro".

Quando seu filho conseguir dominar esta tarefa, você pode dificultar aos poucos, aumentando devagar o tamanho da jarra, e depois pedindo para ele despejar o arroz em um copo. Você pode tornar esta tarefa melhor colocando somente a quantidade de arroz que o copo puder comportar.

Finalmente, quando você achar que seu filho está pronto, coloque água na jarra, em vez de arroz. Desafie-o a despejar a água sem derramar uma só gota. Lembre-se, no entanto, de que este processo não se dá em um dia! Para a maior parte das crianças, levam-se meses a aprender a controlar a relação olhos-mãos necessária para despejar corretamente e sem ajuda.


2. Aprender a utilizar a colher e o garfo

Ensinar boas maneiras à mesa sempre envolve ensinar a utilizar os talheres, e para isto é necessário haver um excelente controle muscular, pelo menos para levar a comida do prato à boca sem deixar nada cair.

Algumas atividades com colheres, garfos e cumbucas podem ajudar a desenvolver estas habilidades. Comece com uma bandeja, uma colher e duas tigelas. Uma das tigelas deve conter algo relativamente fácil de se carregar com uma colher, como pedrinhas ou feijões grandes. A colher deve ter o tamanho certo para a criança. Mostre a ela como transferir o conteúdo de um recipiente para outro, um feijão ou uma pedrinha por vez, sem deixar nada cair. Desafie seu filho a fazer o mesmo. Quando conseguir, ele pode repetir o processo quantas vezes quiser.

Quando a criança conseguir fazer isso sem derrubar nada, você pode aumentar um pouco a dificuldade, colocando grãos de arroz cru no lugar dos feijões ou das pedrinhas. Repita o mesmo processo.

Você pode usar o mesmo tipo de exercício para ensinar a utilização do garfo, desde que você escolha a substância certa. Boas opções são cubinhos de queijo ou pedaços de banana.


3. Aprender a usar a faca

Lembre-se de que o ambiente deve sempre ser montado para a atividade a ser desenvolvida. No caso da faca, se for haver lixo ou sujeira após o final do processo, tenha uma pequena lata de lixo por perto, um paninho úmido e um seco, para que depois da atividade, a criança possa reorganizar seu ambiente.

Um bom começo para se ensinar a utilização da faca é ver que a criança já consegue controlar bem os outros talheres - a colher e o garfo. Se a criança estiver preparada, e conseguir controlar os outros talheres com destreza, não há riscos que devam impedir a execução destes exercícios.

A faca no começo não precisa ser afiada, mas posteriormente deverá sê-lo. Um primeiro exercício pode ser, por exemplo, cortar uma banana, pois é uma fruta mole, que não escorrega, e poderá servir de lanche para você e seu filho. Esta atividade pode ser desenvolvida dentro de um contexto, como o lanche da tarde.

Vocês vão precisar de uma tábua e uma faca apropriada para a mão da criança. A criança pode descascar a banana, e jogar a casca em uma lixeira. Em seguida, deita-se a banana sobre a tábua e fatia-se a fruta. Você demonstra primeiro, e a criança faz depois. Em um primeiro momento, demonstre com poucas palavras, em seguida, explique o objetivo do exercício e por último dê instruções de segurança (não é necessário assustar a criança, basta explicar como ela deve fazer para não correr riscos).

Outra possibilidade de exercício é passar manteiga, patê, geleia ou requeijão em um pedaço de pão, torrada ou bolacha. Ensine como passar a faca sobre o creme que for usado, demonstre como deitar a faca sobre o pão ou a bolacha e ensine como espalhar. Explique que se deve segurar primeiro o recipiente com uma mão e a faca com a outra e depois segura-se com uma mão a faca e com a outra o lanche. Seja perfeccionista, diga que a manteiga ou o patê devem ficar igualmente espalhados por todo o pão e que não devem cair para fora do lanche.

Ser perfeccionista não é ser implicante, e o perfeccionismo serve para a criança não se perder durante a atividade e para satisfazer seu inato desejo de ordem. Incentive, fique por perto, mas não pressione nem mime demais. O aprendizado de uma habilidade tão difícil é prêmio suficiente para ela.

Esperamos que você passe um tempo agradável com seu filho na cozinha, e se você quiser filmar, tirar ou fotos ou escrever sobre a experiência, mande isso para a gente!


Lição sobre despejar:

Lição sobre o uso da colher:

Criança cortando banana:

Criança cortando banana e despejando:

Criança despejando:

Criança ajudando na cozinha: