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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Dia das Crianças, não dos produtos

"Gosto muito do pôr do sol.
Venha, vamos ver um pôr do sol".
(Antoine de Saint Exupéry, em O Pequeno Príncipe)

   Hoje, quando estava almoçando, liguei a televisão no jornal da tarde. O âncora dizia, enquanto víamos imagens de lojas e ruas: "E a 25 de Março está vazia! Para quem quer comprar o presente de dia das crianças, ainda dá tempo!". 25 de Março é o principal centro de comércio a varejo em São Paulo, e é famosa por seus descontos fantásticos em produtos de qualidade baixa ou média.

   Na hora, veio-me à mente uma fala que havia lido no Facebook, dias antes: Neste 12 de outubro, faça com que o dia seja das crianças, e não dos produtos. Lembrei-me também do livro que já mencionei aqui em um artigo anterior: "The World Needs Your Kid" e do blog sobre miniamlismo da Jéssica, o Minimal Student.

   Crianças não ligam para brinquedos. Os pais que já conhecem e praticam Montessori há algum tempo sabem disso. Elas ligam para o prazer advindo do aprendizado que a experiência com o brinquedo proporciona. Então, não é o brinquedo que importa, são três outras coisas:
  1. o prazer
  2. o aprendizado
  3. a experiência
   Como o prazer certamente advirá do aprendizado e o aprendizado só pode surgir a partir da experiência, vamos pensar em experiências. Sabemos que a criança pequena gosta de usar os sentidos e adora ter trabalho. No dia das crianças, podemos proporcionar isso a ela de várias maneiras.

   Uma ideia é organizar um passeio em família para um parque, praça, ou oficina infantil. Em um parque, a criança pode explorar todo o entorno natural que lhe faz tão bem. Pode aprender as texturas das folhas, troncos, da grama e da terra. Ela pode sentir o cheiro das flores, pode ver (e pegar!) insetos, lagartas, minhocas... Cuidado com aranhas, taturanas e animais com ferrão, mas de resto, toda experiência sensorial é científica!

   Passear pelo parque pode proporcionar para ela a oportunidade de conhecer plantas diferentes, e lembre-se de que crianças adoram categorizar. Separar as coisas em flores, arbustos, árvores e ervas-daninha pode ser um jeito de ajudar seu filho a organizar o mundo. Além disso, claro, vale comer uns sanduíches feitos em casa com suco, água, leite ou chá e brincar de roda-roda, pular corda, esconde-esconde, pega-pega, rolar na grama e todas as outras brincadeiras que você e seu filho conhecem bem!

   A praça é um passeio menor, mas muitas vezes é tão bom quanto o parque. Aqui em São Paulo sei que há várias praças com parques de diversão e outras de beleza natural que vale a pena. Conheço uma chamada Praça do Por do Sol, que fica em um local bem alto da cidade e que permite ver o por do sol de um ponto de vista fantástico. Além disso, tem muita grama, árvores, espaços amplos para brincadeiras e conversas. Ir a uma praça pode ser mais fácil para uma família em que todo mundo trabalhe ou para uma criança que não goste de ficar muito tempo no carro, até chegar em um parque que fique longe.

   As oficinas infantis acontecem em várias cidades do Brasil durante o dia 12 de outubro e o fim de semana que o segue. Nem todas são legais. Algumas funcionam com base em competições, outras têm como tema personagens de desenho animado. Mas há um punhado que oferece oportunidades incríveis para as crianças: utilizar materiais recicláveis, superar obstáculos físicos como montanhas de almofadas ou ladeiras de borracha, conviver com crianças de outras classes sociais. Passar um dia em uma oficina assim pode ser muito, muito mais divertido do que ganhar um carrinho, uma bola ou um quebra-cabeça.

   Em alguns casos, porém, pode estar chovendo, pode estar trânsito, e um passeio pode ser bem complicado. Aí vale a pena dar o presente? Não. Não, por dois motivos: primeiro, as coisas são mais caras no dia das crianças, não compensa. E em segundo lugar, seu filho não pode associar seu afeto com objetos, com presentes. Seu afeto tem de estar nas suas palavras, nos abraços, no carinho que você pode e deve oferecer todos os dias.

   Se não houver nenhum passeio para fazer, não tem problema. Faça uma atividade sensorial, faça um pão e peça ajuda para fazer a massa, faça uma salada de frutas e precise de ajuda para cortar as frutas, uma faxina de mentira com ajuda para varrer um pedaço da sala ou do quintal. Se estiver frio, faça tudo de dentro de casa, e se estiver quente, plante uma flor no quintal, use a varanda para montar um brinquedo com tecido ou papel (e o principal não é o brinquedo, mas montar o brinquedo).

   Se você faz parte de uma família que aprecia uma boa educação social, também há vários locais que propiciam o contato entre diversas classes sociais, organizações que dão espaço para algumas crianças darem brinquedos para outras, e você pode ensinar sua criança a dar, sem esperar nada em troca.

   Finalmente, o que importa é fazer deste dia um Dia das Crianças, no qual seus pequenos sejam prioridades completas, em primeiro, segundo e terceiro plano. Dia 12 de outubro não é dia de dar presentes para seu filho, mas é dia de despertar o prazer advindo do aprendizado que surge a partir da experiência.

   Um abraço e feliz Dia das Crianças!

   

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Imaginação e Fantasia: Datas comemorativas


Maria Montessori era uma corajosa defensora da imaginação na primeira infância. Ela diz em seu A criança, a Sociedade e o Mundo que "A imaginação é a verdadeira substância da inteligência. Toda a teoria e todo o progresso vêm da capacidade mental de reconstruir alguma coisa" (eu descobri isso aqui).

Uma dúvida frequente sobre o método Montessori trata da presença, ou ausência, de brincadeiras de faz-de-conta em escolas montessorianas e também sobre a (ir)relevância de contos de fada e personagens de fantasia em datas específicas do nosso calendário. Neste artigo vamos começar por explicar como Montessori compreende a imaginação, em oposição ao conceito de fantasia e em seguida comentar comemorações de datas que em geral trazem personagens mágicos.

Abaporu
Nós, adultos, imaginamos a partir da realidade. Uma pintura como "Abaporu", de Tarsila do Amaral, um poema como "Os Sinos", de Manuel Bandeira ou mesmo uma música de letra quase surrealista, como "Livros" de Caetano Veloso são peças de imaginação construidas a partir da observação atenta e aprofundada da realidade do mundo. Quando desejamos trabalhar a nossa imaginação, para escrever um poema, compor uma música ou pintar um quadro, o que fazemos é ir a um local que seja adequado aos nossos propósitos, permanecer em um silêncio concentrado típico de quem observa e então iniciamos a tradução do mundo em arte.

Com a criança, o mesmo deve acontecer. A imaginação infantil se desenvolve com base no conhecimento da realidade, e toda a educação montessoriana é baseada no conhecimento e na categorizarão do mundo real. Para que Olavo Bilac escrevesse "Ouvir Estrelas" não foi necessário que ele acreditasse que as estrelas realmente falavam. Bilac sabia que estrelas são corpos celestes, e talvez soubesse que estão muito distantes da Terra e que várias delas, na verdade, já morreram. Mesmo assim, do ponto de vista lírico, as estrelas transmitem mensagens às quais é necessário ouvir com amor.

Se, no entanto, o nosso poeta parnasiano tivesse ouvido durante toda a vida que as estrelas de fato transmitem mensagem, o que haveria de poético em dizê-lo? O que haveria de criativo se aquilo que ele diria em belíssimos versos nada mais fosse do que o que todos sabiam, ou acreditavam?

O mesmo se dá com a imaginação da criança. Ela não é bela se não for criada pela criança. Se a criança diz que crê na Fada do Dente porque seus pais a fizeram acreditar que essa fada existe, não há imaginação envolvida no processo. A criança, neste caso, crê, e crê em algo que todos sabem que, em última instância, é mentira, menos ela. Quando uma criança consegue realmente criar, desenhar algo a partir da realidade, criar pequenos versinhos, cantar para o irmão mais novo dormir, isso é belo, porque é fruto do esforço da criança de elaborar uma super-realidade a partir do que ela observa.

A imposição de peças da fantasia adulta sobre a criança não ajudam na criação da super-realidade, mas geram, isto sim, uma a-realidade, que por sua vez impede a criança de ver o mundo como ele realmente é. Uma criança que brinca de ser uma princesa ou de ser um cachorrinho pode encarar a brincadeira de duas formas diferentes: em um caso não lhe faz diferença ser princesa ou cachorro, e aí sabemos que trata-se de um faz-de-conta inofensivo porque é evidente que é faz-de-conta. Em outro caso, a criança pode se recusar a ser o cachorrinho e impor sua vontade (condicionada, em geral, pelos pais, pela TV ou pela escola) de ser a princesa todas as vezes: neste caso, a percepção do faz-de-conta não é clara, e é a ilusão de realidade que leva a criança a desejar brincar de faz-de-conta - brincadeira que, para ela, nada tem de imaginativa, mas sim de substituição a uma realidade que não a satisfaz.

O faz-de-conta saudável, assim como o desenho de observação, a escrita e diversas outras formas de arte são, para Montessori, imaginação. A crença imposta em personagens variadas, o faz-de-conta ilusório e até o medo de seres mágicos são formas de fantasia. A primeira se desenvolve naturalmente quando a criança é deixada em liberdade, a segunda surge a partir da vontade do adulto.

Datas comemorativas são convenções sociais com símbolos criados muito antes de a criança nascer e sobre os quais ela não tem nenhum poder - e os quais ela deve conhecer, reconhecer e compreender. Ainda assim, o significado destes símbolos é individual, e a criança deve ser deixada em liberdade para significá-los como lhe for mais natural, em vez de ter de aceitar passivamente a interpretação dos adultos para símbolos que ela só está aos poucos vindo a conhecer.

As comemorações do período da páscoa, no nossa calendário, são em geral celebrações que envolvem meditação sobre ações passadas e esperança quanto a tempos futuros. Alguns atribuem esta meditação a eventos na vida de algum profeta religioso, outros não, e alguns preferem não comemorar a data. O mesmo acontece com as comemorações de dezembro, que em geral servem às meditações de caridade e perdão. Realizá-las é opcional, claro, e o que fazer nelas também.

Contar histórias para as crianças é uma forma de dar a elas possibilidades de contato com o mundo. A criança acredita em nossas histórias e é só assim que ela pode conhecer aquilo que é muito distante no tempo ou no espaço - é uma forma de contato com o mundo mais sutil e difícil, mas tão válida e útil em alguns casos quanto o manuseio de materiais sensoriais. Assim, devemos cuidar para só contar à criança histórias nas quais ela possa acreditar.

Contar a história do Papai Noel, por meio de São Nicolau, ou a do coelho da Páscoa recuperando o antigo costume russo de presentear ovos pintados é dar à criança a origem de costumes sociais, e não tem nada de nocivo. Nocivo é fazê-la acreditar que há uma espécie de coelho que põe ou faz ovos de chocolate e os entrega, assim como um senhor idoso que viaja a partir do Pólo Norte para o mundo todo em uma só noite voando em um trenó puxado por quadrúpedes típicos de regiões temperadas.

Shiva, divindade hindu
Por fim, gostaria de abordar o tema delicadíssimo da religião nas datas comemorativas. Algumas famílias acreditam em Jesus Cristo, outras em Moisés, algumas em Buda, Tao, Shiva ou na Grande Mãe. Nenhum destes profetas ou divindades é fruto da fantasia. São, para aqueles que crêem, formas supremas da verdade - em alguns casos, um dos nomes da divindade é, justamente, "Verdade". Assim, contar a história destas crenças não é errado do ponto de vista montessoriano, porque estamos dando à criança a forma de contato possível com uma verdade não-sensorial.

Para famílias que não crêem em nenhuma forma religiosa, não há porque inseri-las na comemoração, a não ser pelo ponto de vista cultural, como se faz com São Nicolau ou os ovos coloridos da Páscoa. Para aquelas que crêem, no entanto, é importante ressaltar: a liberdade da criança deve sempre prevalecer, e ela pode, se achar por bem, não acreditar em nada ou desejar não participar das orações - isto deve ser encarado com compreensão, e não só com tolerância, e devemos permitir à criança simplesmente permanecer de forma educada no mesmo ambiente que seus iguais, sem tomar parte nas solicitações que os hábitos culturais, e mais nada, exigiriam dela.
Crianças trabalhando em um
lar Montessori

Espero que a diferença entre imaginação e fantasia tenha ficado bastante clara, e me coloco, como sempre, à disposição para responder quaisquer dúvidas, ressaltando sempre que o objetivo do Lar Montessori é oferecer uma possibilidade de compreensão do desenvolvimento da criança e de respeito a isso, e não dizer que esta é a única possibilidade ou que só nossos princípios devem ser respeitados.

Contamos com os seus depoimentos sobre como funcionam as comemorações na sua casa! Até mais!


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Pequenos Artistas – a criança e a arte em Montessori


Por meio de suas longas observações, Montessori percebeu que a criança passava por diversos períodos sensíveis. De zero a seis anos, a criança está numa fase de intensa absorção de seu ambiente e ao mesmo tempo se trata de um período durante o qual os sentidos estão à flor da pele, buscando serem educados. Os materiais Montessori para primeira infância trabalham justamente com a ideia de educação sensorial, assim, há séries de materiais que educam os olhos para a discriminação minuciosa de cores e tons, para a identificação de formas geométricas mais e menos semelhantes, para texturas, pesos e tamanhos com gradações de variação, do óbvio ao quase imperceptível.

Crianças de cinco anos já são capazes, por treino voluntário, de identificar notas musicais, formas geométricas as mais variadas, sessenta e quatro tons e cores e são capazes de perceber acuradamente diferenças de tamanho, peso ou textura. Este seria, para Montessori, o início do treino dos sentidos necessário à apreciação artística. Os olhos estariam educados para notar a utilização de cores e formas, os ouvidos para perceber a melodia, as mãos para sentir e para criar, já que há razoável abundância de materiais que treinam o controle motor dos braços, mãos e dedos.

Estar “educado” aos cinco anos não quer dizer, no entanto, que não se possa tirar prazer da arte antes disso. Nas salas de aula Montessori, e na sua casa pode ser assim também, sempre há uma música tocando. Quase invariavelmente se trata de música clássica, pelo tipo de melodia que não atrapalha a concentração e auxilia a percepção musical da criança. As paredes são decoradas com quadros renomados, para que desde a primeira infância possa-se ter contato com as obras de arte fundamentais da civilização.

A mobília dos ambientes deve ser muito limpa e muito bem organizada, para que haja menos confusão de estímulos e aquilo que for relevante para os sentidos possa ser absorvido. As cores do ambiente devem ser suaves, embora os quadros possam trazer cores mais fortes. Alguns argumentam que a música poderia atrapalhar a concentração. Estudiosos do tema, no entanto, dizem que pequenos ruídos não só não atrapalham a concentração, como podem auxiliar seu desenvolvimento.

O quarto de seu filho pode ter belos quadros na parede, e você pode perguntar a ele o que ele vê na gravura, e ao mesmo tempo contar o que se passa na ilustração. Dê os nomes dos quadros e dos pintores, crianças pequenas adoram categorizar coisas mentalmente, e pode ser um atrativo a mais apreender os quadros por pintores ou por seus nomes.

Se seu filho já aprendeu as cores, você pode perguntar que cores existem no quadro, e permitir que ele aponte onde está cada cor, mas nunca force sua atenção, faça tudo de forma que seu filho seja livre para demonstrar que não quer mais a qualquer momento. A arte deve ser algo agradavelmente absorvido e aprendido, e não uma sequência de lições forçadas que o façam saber todas as datas e os nomes, mas o façam desistir de visitar museus para sempre, sob a alegação de monotonia.

A produção artística é objeto de intenso debate entre estudiosos montessorianos. Alguns argumentam que o desenho deve ser guiado por exercícios para as mãos, outros dizem que enquanto há exercícios, deve haver também oportunidade para o desenho livre. Maria Montessori sempre foi adepta da espontaneidade infantil, de forma que considerava o desenho livre algo fundamental à sala de crianças pequenas.

Ela percebeu, no entanto, que havia uma melhor desenvolvimento da habilidade manual da criança, e até uma preferência por parte dos pequenos, se inicialmente se permitisse o desenho livre por algum tempo, até serem inseridos os primeiros exercícios de desenho, baseados no contorno de formas geométricas em metal. Em seguida, se ensinaria a traçar linhas retas e a respeitar as bordas, para depois se ensinar a utilização de um mesmo lápis colorido para a produção de diferentes tons de cor e finalmente, depois de a mão se ver educada, se retornaria ao desenho, desta vez baseado em observação, um desenho que partisse da realidade.

Montessori enfatizou também a importância da música e disse que não só deveria haver a possibilidade de todas as crianças aprenderem um instrumento depois de serem educadas para a percepção e leitura musicais, mas que também todos os professores da primeira infância deveriam saber tocar pelo menos um instrumento, para que as crianças pudessem reconhecer as notas para além do som produzido pelo material musical básico, que é composto por sinos de metal que produzem uma escala completa.

Como sempre, se a criança demonstrar vontade de se desenvolver mais nas áreas ligadas à arte, esta liberdade lhe deve ser dada, e se deve perceber por observação o que é que ela busca, e auxiliá-la por meio de materiais e instrução. Caso seu filho demonstre que gosta de pinturas, procure mostrar a ele livros de mestres da pintura com diversas gravuras, e ensine um ou outro nome mais importante. Dê-lhe pequenas biografias de pintores para ler, para que se inspire, e se o interesse chegar a este ponto, procure um professor de desenho para crianças, que seja ao mesmo tempo libertário e rígido, para que seu filho possa seguir seus interesses e tendências pessoais, mas para que sua mente se sinte desafiada, e não somente propensa a criar rabiscos durante algumas horas todas as semanas.

O mesmo se dá quanto a instrumentos musicais. Se seu filho demonstra gosto por música, e você percebe bem estar, contentamento ou interesse durante uma boa peça, pergunte a ele se gostaria de aprender a tocar, e ensine-o, ou encontre alguém que possa ensiná-lo. Novamente, pense em um professor que enxergue sua criança como um ser humano, e que o respeite, de forma a permitir a ele a liberdade necessária e exigir dele o esforço que torna tudo mais interessante.

Lembre-se, porém, que seu filho somente passará a cultivar o gosto pela alta arte a partir do momento em que tiver alguém em quem se espelhar. Ele passará muito tempo diante de um quadro se vir que há o que descobrir nele, e só verá isso se seus pais examinarem as obras com atenção e interesse verdadeiros. O mesmo se dará com a música. Pais que escutem música e conversem sobre tendem a cultivar o gosto e a educação musical nos filhos. Idas a museus não devem parecer nunca uma tarefa a cumprir, mas algo tão divertido quanto ir a um cinema ou um parque. Sendo a Literatura uma forma de arte, aproveito para ressaltar que o amor pela leitura tem a mesma fonte: não adianta ler para seu filho. Ele tem de ver que você lê para você também, por prazer e interesse, para que haja sentido ele o fazer sozinho, e não só em dupla com os pais e professores.

Guarde sempre nossos princípios maiores: expor a criança ao estímulo necessário, falar somente o estritamente relevante, e observar sua reação ao objeto, à imagem ou ao som. A partir da reação do seu filho é que você dará o próximo passo, e não por meio de um plano pré-estabelecido de educação artística. A percepção da arte deve partir de dentro dele, e não ser imposta de fora, pois se brotar da própria criança, durará por toda a vida, e será uma inesgotável fonte de interesse, aprendizado e bem-estar. O que mais podemos desejar para um pequeno artista?