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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Homenagem de Aniversário 2

Júlia Simões foi uma aluna montessoriana por muitos anos e escreveu para o Lar Montessori um texto muito doce no aniversário de Maria Montessori. Reproduzo-o na íntegra.

"Gostaria de deixar minha marquinha pra essa pessoa tão especial que foi a Maria Montessori. De uma forma tão incrível, essa batalhadora conseguiu atingir minha vida por completo e ganhar minha admiração sem nenhum contato pessoal. Só por conta do seu método, já criei novos olhares, mesmo que tardios mas duradouros, sobre inúmeros assuntos. Enfim, agradeço não só neste dia, mas também diariamente com gestos, ações e palavras carregadas do espírito Montessoriano que faz parte de mim há muito tempo!"

Júlia, você tem dezesseis anos (é isso?) e pode ter certeza de que seus olhares são mais precoces que tardios! O mundo precisa de mais gente como você!

Beijos e obrigado,
Gabriel

Homenagem de Aniversário

Tim Selding, em seu sempre útil "How to Raise an Amazing Child the Montessori Way" diz que, para ele, Montessori é um estilo de vida, um jeito de viver, muito mais que um método educacional.

Tim Seldin está certo. O defendo com a humildade de um iniciante que apoia um mestre, mas com a autoridade do iniciante que sabe o que está dizendo. Eu vivo Montessori há 18 anos. Aqui, quero contar o que é Montessori na minha vida, como tudo começou e porque esta visão de mundo continua presente em mim até hoje. Esta é minha homenagem para Maria Montessori no dia de seu aniversário, contar a importância que ela tem na vida de um jovem que vive 100 anos depois dela.

Quando eu tinha 2,5 anos, minha mãe e eu procurávamos uma escola para me matricular. Visitamos várias, conhecemos salas bonitas e feias, professoras simpáticas e tias doces, escolas grandes e pequenas, jardins de infância agradáveis e não tão agradáveis assim. E visitamos a Prima - Escola Montessori de São Paulo. Ficava perto de casa e era bem falada na região. Uma tia minha é pedagoga e disse que o método era interessante para crianças, mas que ela não conhecia muito bem. Disse que valia a pena olhar.

Em todas as escolas, antes da Prima, a diretora ou a coordenadora conversou solicitamente com a minha mãe, enquanto eu, sentado no colo dela, pedia para ir embora. Nesta casa das crianças que é a Prima, chegamos e a diretora falou primeiro comigo. Estendeu um tapete no chão, me deu ma Cesta dos Tesouros (veja o post logo antes deste) e mostrou-me alguns objetos. Eu, como é de se esperar, concentrei-me nos objetos e lá fiquei por toda a reunião, sentado, silencioso, trabalhando, enquanto minha mãe e a diretora conversavam. Minha mãe, durante a conversa, disse à diretora: "Esta é a primeira escola que pensa no meu filho. Vou deixá-lo aqui". E eu fiquei lá da segunda-feira seguinte até os meus quatorze anos. Depois eu saí, porque não havia colegial, e agora voltei, como professor assistente, com muito gosto.

Estou hoje com quase vinte anos e vivi Montessori pelos primeiros 14 e nos últimos seis. Como, nos últimos seis, se não estava dentro da escola?

Montessori não depende só da escola, e não se trata só de escola. Trata-se de pensar pela Paz, acima de tudo. Trata-se de desejar a paz do mundo e a do homem, de desejar a paz para a humanidade, mas também de promover a paz entre si e os vizinhos, entre si e os amigos. Trata-se de perceber que onde há comportamentos humanos reprováveis não pode haver paz. E se trata de fazer o possível para reestabelecer a paz onde ela não se mostra presente, dentro e fora de nós.

Montessori trata da Liberdade. Segundo Maria Montessori, da liberdade que nasce dentro de nós, que é construída dentro de nós. É a liberdade de pensamento e de ação, a de seguir pelos caminhos que julgamos melhores e a de discordar do que quisermos, a de criar o que quisermos, a de perseguir o que quisermos, e a de (esta é importante) querer o que quisermos. Na maior parte das vezes, somos escravos de nossas vontades - a liberdade defendida e construída por Montessori (a muher e o método) é a que liberta das vontades e que permite ao homem escolher o que ele quer escolher, e não escolher o que o desejo dele deseja.

É difícil entender Montessori, a menos que você sinta a escola, permaneça nela por algum tempo e converse com as crianças pequenas educadas lá. Quando você entender as crianças, a alegria, a liberdade e a disciplina adorável que elas cultivam em si mesmas, no ritmo delas e no espaço delas, então será possível compreender Montessori e o respeito pelo ser humano presente em qualquer educando montessoriano.

Fica o convite para quem quiser conhecer mais desta possibilidade bela de educação. Estou sempre e a todo momento disponível para isso, com teses de doutorado, textos filosóficos, poemas e imagens. Espero que você venha a conhecer mais!

Um abraço grande, de um atual educador Montessori,
Gabriel

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Cesta dos Tesouros

Este texto foi traduzido do livro "How to Raise an Amazing Child the Montessori Way", de Tim Seldin.
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Tudo por perto de seu bebê é um mundo mágico de objetos esperando por descobertas


Assim que seu bebê for capaz de sentar e pegar coisas, ele vai adorar explorar uma "cesta dos tesouros". É uma cesta baixa que você terá enchido com objetos do lar e coisas da natureza. Os objetos precisam ser grandes o suficiente para que a criança não os engula e não devem ter pontas ou partes afiadas que possam machucar a criança quando tocadas ou quando colocadas na boca. Crianças mais velhas gostam da cesta também, permaneça adicionando novos objetos.

Uma cesta dos tesouros deve provocar maravilhamento, surpresa, descobertas. Junte entre 50 e 100 objetos, cada um com suas características de cor, textura, peso e cheiro - use sua imaginação e seu bom senso. A escolha dos objetos é constante, e pode se tornar um passatempo agradável para os pais examinar objetos e pensar se seriam tesouros interessantes para a cesta. Você pode incluir coisas como uma carteira, uma casca de noz [uma concha sem partes afiadas é sempre um objeto interessante], uma pinha, um pincel, uma pena, um sino de metal, uma pedra macia. Bebês e crianças usam todos os seus sentidos, enquanto adultos tendem a depender da visão. Objetos que possuam um padrão visual ou uma textura diferenciada na superfície, um aroma especial, que sejam gelados ao toque (como uma pedra), ou que produzam sons quando movimentados são especialmente interessantes. Para uma criança pequena, tudo é uma descoberta nova e excitante.
Crianças muito pequenas já se
interessam pela Cesta dos Tesouros
A cesta dos tesouros pode entreter seu filho por períodos longos, sendo que meia hora é um tempo razoavelmente comum. Com crianças pequenas, tenha em mente que se trata de um grande estímulo, sendo melhor oferecê-lo para uma mente descansada e alerta. Quando crianças pequenas estão explorando a cesta pela primeira vez, o melhor a fazer é não dizer nada. Somente selecione um objeto, examine-o cuidadosamente, e coloque-o de volta na cesta. Seu filho pode pegar o mesmo objeto assim que você o devolver à cesta ou pode escolher algo completamente diferente. Deixe-o explorar sozinho - as crianças gostam que estejamos por perto, mas nem sempre desejam nossa interferência.


--trecho adaptado--

Colocar os objetos na boca é uma fonte de prazer e aprendizado para sua criança. Desde que os objetos estejam limpos e sejam seguros, não é necessário limitar esta experiência. Procure escolher objetos que atendam a estes requisitos.

O olhar da criança já se desenvolveu nesta idade, e já é possível para ela observar objetos de cores sutis e leves. Quaisquer objetos chamarão a atenção de seus olhos, e coisas simples, de casa, podem despertar grande interesse.

Vidros de sementes ou feijōes, pequenos sinos, correntes... Todos estes objetos (e muitos outros) proporcionam sensações interessantes para o ouvido da criança, e serão também fontes de descobertas.

Crianças maiores mantém o interesse pelos objetos.
Procure selecionar objetos interessantes para o tato. Diferentes texturas e temperaturas são importantes, e é mais interessante escolher objetos de madeira, metal ou vidro (desde que forte, para sua criança não correr riscos) do que de plástico, já que o plástico apresenta sempre a mesma textura. Objetos naturais, como pinhas e sementes grandes podem ser interessantes também.

Objetos com cheiros suaves podem ser bem interessantes também. Sachês, saquinhos de ervas, sementes cheirosas e limões são boas escolhas (quanto ao limão, cuidado para não expor a pele da crinça ao sol depois de ter manejado a fruta).

Depois te ter explorado os objetos da cesta, ainda existe uma cesta para ser descoberta. Procure escolher um recipiente belo, agradável ao tato, para que a criança tenha também esta possibilidade de exploração.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Pequenas Coisas

Quem tenta ajudar uma borboleta
a sair do casulo a mata.
Quem tenta ajudar um broto
a sair da semente o destrói.
Há certas coisas que
não podem ser ajudadas.
Têm que acontecer de dentro para fora.
(Rubem Alves)

Tudo em Equilíbrio

Do livro "How to raise an Amazing Child the Montessori Way", de Tim Seldin

Desde o começo, seu bebê pegará coisas, explorando seu peso, textura e temperatura. Ela vai usar mãos, olhos, ouvidos, boca e nariz para investigar qualquer coisa que esteja por perto. Quando faz um ano de idade, a criança se torna mais e mais curiosa e poderá se concentrar em um objeto assistindo-o e o examinando com uma paciência aparentemente infinita.

É importante evitar o excesso ou a falta de estímulo. Muito estímulo fará a criança ficar estressada e ela tenderá a dormir. A falta de estímulo também leva ao sono. Idealmente, devemos estabelecer um balanço.

Aos leitores deste blog, podemos indicar os posts sobre a adequação da Casa para se conseguir um nível adequado de estímulo, e o post sobre o Sono para compreender melhor seus motivos e o equilíbrio que deve haver entre o tempo de vigília e o tempo de descanso.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Visão do Bebê

Como os bebês veem o mundo

Baseado no livro "How to raise an Amazing Child the Montessori Way", de Tim Seldin

A educação dos sentidos começa no nascimento, no 1o abraço ou colo, na primeira vez que ela vê ou sente o tato com a pele ou seu cheiro. Quando ela sente os tecidos contra a sua pele e quando põe os primeiros alimentos sólidos na boca. As crianças são observadoras extremamente ativas nos primeiros anos de vida e tudo o que observam as afeta.

- A visão
É importantíssimo estimular a visão da criança, mas também é muito importante entender como a visão se desenvolve. Nos primeiros meses há uma tendência para focar a visão em objetos que estejam a até 30cm de distância, os olhos passeiam objetivo e podem até cruzar-se de vez em quando. Usualmente os olhos respondem muito bem a rostos humanos, especialmente aos dos pais ou de alguém que cuide deles. Nos primeiros tempos, as crianças ainda não conseguem captar diferenças sutis entre tons e cores, e compreendem melhor contrastes fortes, especialmente branco-preto.

Aos três meses, a criança começa a focar e a reconhecer coisas que estão mais longe, ainda mantém grande interesse por rostos humanos, mas interessam-se também por outros objetos, especialmente por tudo o que se move. Nesta idade já tentam alcançar o que vêem e aos sete meses já desenvolveram realmente bem a visão em cores e a distância.

Há muito que se pode fazer para ajudar a desenvolver a percepção visual da criança. Ao falar com a criança, mantenha o contato visual e perceba como ela responde. Olhem coisas juntos, e fale sobre o que vocês virem. Móbiles, enquanto se movem, mostram aspectos belos e variados de objetos que se movem. Pode ser interessante ter dois ou três móbiles pela casa (especialmente sobre o berço e sobre o trocador), e girá-los com frequência para produzir imagens interessantes e agradáveis para a criança.

Os móbiles não precisam ser complexos e podem ser feitos em casa. Esferas de pano coloridas, formas geométricas de cartolina, especialmente em preto em branco, nos primeiros meses, são muito interessantes para a criança.

domingo, 3 de julho de 2011

Cozinha - geral

Este post foi baseado no livro "How to Raise an Amazing Child the Montessori Way", de Tim Seldin, publicado pela DK.


A partir dos dois anos de idade, a criança já pode começar a interagir mais ativamente com a cozinha (leia aqui sobre o desenvolvimento desta interação), e começa a adquirir maior liberdade e autonomia, se o ambiente favorecer este desenvolvimento.
[Abaixo, neste post, você encontra um vídeo, em inglês, cujas imagens ajudam muito a entender o que você pode fazer na sua cozinha. Mesmo que você não saiba inglês, vale a pena ver o vídeo. As imagens são extremamente ilustrativas]
A primeira medida que se pode tomar para auxiliar os pequenos nesta fase é instalar uma pequena mesa na cozinha, que seja baixa, mas firme. À frente desta mesa pode-se colocar uma cadeirinha também pequena. O material indicado sempre é a madeira, o motivo principal de se utilizar materiais de madeira sempre que possível é a experiência de tato com materiais naturais. A madeira também é mais bonita que o plástico e oferece maiores possibilidades de mobilidade para a criança do que o metal e o vidro. É ideal que o tampo da mesa seja coberto por uma placa de fórmica, assim a umidade não se acumula e se mantém melhor a higiene. Apesar disso, se o preço de uma mesinha firme de madeira não for acessível, é melhor uma mesa de plástico de alguma cor leve (branco é bom, para que a sujeira seja perceptível e a criança tenha o que limpar quando fizer sujeira) do que a ausência do móvel. Somente certifique-se de que a mesa de plástico seja firme, lembre-se que a criança precisa de um bom apoio para suas primeiras experiências culinárias.

Um armário baixinho, a estante mais baixa de um armário, ou a gaveta mais baixa de um gaveteiro são locais excelentes para se colocar os copos (de vidro), os pratos (de porcelana), os talheres (pequenos, mas de metal) e guardanapos. Os pratos podem ser os de sobremesa, copos podem ser de tamanho normal, se forem comuns, e talheres de sobremesa em geral são adequados. Tudo isto deve ser mantido disponível para a criança, mas a criança deve aprender a manejar cada um destes objetos, sob tutela dos pais. Abaixo, falaremos um pouco sobre como ensinar o manejo dos objetos de cozinha e num post futuro detalharemos este ponto.
Sobre a mesa, pode-se e se deve manter uma jarra (pequena, adequada ao tamanho da criança) com água ou suco e frutas ou pedaços delas, assim como outros itens que possam servir de lanche quando a criança sentir fome e não for horário de refeições. O ideal é atentar para a nutrição dos pequenos e evitar deixar doces ou outros alimentos menos saudáveis. É importante que não haja opções demais, para que a criança não fique confusa, nem de menos, para que ela tenha o que escolher. Duas frutas, ou uma fruta e um tipo de pão ou biscoito são boas opções.

As comidas da criança podem ser deixadas na estante mais baixa da geladeira ou em uma estante do armário acessível para ela, para que ela possa acessá-las quando desejar. Alguns itens possíveis de se disponibilizar para ela são:
- pedaços de frutas ou frutas pequenas (uvas, ameixas...) sempre lavadas;
- fatias de queijo ou de frios, patês, manteiga em recipientes não quebráveis;
os recipientes não devem ser quebráveis porque a criança não terá, neste caso, a firmeza das duas mãos para garantir a estabilidade do pote, pois utilizará uma das mãos para a espátula.
- pães e cereais;
- iogurte, leite, sucos em garrafas e jarras.

No começo, deixe somente colheres disponíveis. Ensine o pequeno a segurar os talheres, geralmente utilizar somente colheres no começo é uma boa e segura maneira de começar. Ensine a criança a segurar copos e pratos com as duas mãos, primeiro executando o ato vagarosa e cuidadosamente, em seguida pedindo que ela o faça. Explique o posicionamento do prato e do copo na mesinha, e mostre como se utiliza um guardanapo. Deixe um pano perto da mesinha para que a criança possa enxugar a superfície, caso despeje líquidos fora do copo.

Disponibilize aquilo que você se sentir seguro(a) para ensinar. Nós vamos liberar posts sobre cada uma das tarefas que devem ser desempenhadas pelo pequeno na cozinha, a maneira de ensinar e a maneira de aprender da criança. Mas é possível começar com o básico desde já.